Todos somos mediadores

Apareceram aí uns iluminados a falar de mediação como se esta fosse uma novidade ou eles tivessem descoberto a pólvora.
Ouvi falar do método pela primeira vez no verão de 1974, quando frequentei o Centre de Formation de Journalistes, em Paris, a propósito da mediação de conflitos políticos e étnicos.
Descobri-a, pouco tempo depois, como um método aplicável aos conflitos civis, especialmente aos natureza jurídica e económica.
Comprei os primeiros livros sobre a matéria em 1975 – portanto há mais de 30 anos – e li-os como muito interesse.
Guardei deles grande utilidade.
Empiricamente ou sob a influência da imensa literatura existente sobre a matéria, todos nós, os advogados, somos mediadores, quase pela natureza da nossa profissão.
Ser mediador é – antes de tudo – adoptar uma postura de independência face aos interesses em jogo e ajudar os interessados a construirem eles próprios uma solução para o conflito que os divide. É esse essencial que distingue a mediação da negociação.
Todos nós, advogados, fazemos isso quando temos a oportunidade de o fazer.
Será possivel melhorar as práticas, com recurso a técnicas que não fazem parte dos nossos curricula? Seguramente que é… E é importante fazê-lo nestes tempos de advocacia preventiva,
O que não me parece que seja possivel é encontrar soluções justas, por via da mediação, se o mediador não tiver a mínima noção das questões de direito que o concreto conflito suscita.
É que não é bom nenhum resultado que as partes, mais cedo ou mais tarde, venham a assumir como injusto.
MR
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