Governador do Banco de Portugal desacredita sistema bancário

O governador do Banco de Portugal admitiu que o que os bancos, durante anos, na sua propaganda, nunca admitiram: a possibilidade de unilateralmente serem alteradas as taxas de spread, sempre consideradas como componente fixa das taxas de juro contratadas.>
A primeira conclusão que importa retirar desta posição do regulador é a de que a situação deve ser muito mais difícil do que é público.
Se o próprio regulador põe em causa uma questão que era pacífica, admitindo que os bancos possam dar o dito por não dito é porque a situação é pior do que nós imaginamos.
São cada vez mais as pessoas e as empresas que não depositam os seus recursos nos bancos, com receio de que eles sejam penhorados por dívidas aos fisco e aos fornecedores.
Cresce todos os dias o número de pessoas que paga em dinheiro, porque não usa contas bancárias.
A mensagem do governador do Banco de Portugal agrava ainda mais a situação, porque, implicitamente, ela transmite uma ideia de dificuldades no sistema bancário, que justifica a preferência pela liquidez.
Para além disso, usar os bancos para proceder a depósitos passou a ser um luxo.
Basta analisar os extratos de conta para concluirmos que custa uma fortuna ter uma conta bancária.
A principal razão que a justificava era, em boa parte dos casos, a segurança. Se até essa é agora posta em causa. é melhor guardar o dinheiro em casa.

Tudo isso, naturalmente, sem prejuizo de, em nossa opinião, ser inadmissível que os bancos alterem um spread que foi contratado por valor fixo. Vale a pena recorrer aos tribunais.

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