É PERIGOSO INVESTIR EM PORTUGAL

 

O caso “Luanda Leacks” vem provar, antes de tudo, que é perigoso investir em Portugal.

Não se sabe se a informação obtida e divulgada pelo “consórcio” é verdadeira ou falsa e muito menos se foi obtida de forma lícita ou ilícita.

Porém, não há nenhuma dúvida de que qualquer investidor que faça operações em Portugal pode correr o risco de ver os seus investimentos postos em causa.

Isabel dos Santos foi aplaudia pelos que hoje a atacam.

Não se sabe onde está o dinheiro que Kadhafi depositou na Caixa Geral de Depósitos.

Desconhece-se o destino de boa parte dos recursos trazidos ao país por Ricardo Salgado, sabendo-se que foi palmado o dinheiro que o governo da Venezuela entregou ao BES.

Portugal é um país muito inseguro, comparado com a minúscula Suiça ou com o pequeno estado do Delaware.

Alerto, de forma especial, a maioria dos investidores no quadro do programa português de autorizações de residência para investimento, vulgarmente conhecido por “Vistos Gold”.

Se o tal consórcio – ou outro – resolver investigar a origem dos capitais de forma perfunctória, correm os investidores o risco de perderem os valores investidos e até as autorizações de residência, porque raros são os investimentos que resistem a uma investigação sobre a regularidade da origem dos capitais e/ou sobre a regularidade das transferências.

São conhecidos, a propósito, os questionamentos feitos por “organizações” chinesas, brasileiras, angolanas e de outros países, tanto no que se refere a investimentos em Portugal como a investimentos em outros países.

O investimento através de offshores deixou de ser minimamente prudente, por todas as razões e mais uma: o regime do registo central do beneficiário efetivo. Qualquer investimento pode ser questionado e auditado praticamente sem limites, sendo certo que qualquer pequena infração ou qualquer incumprimento das regras tributárias pode pôr em causa a segurança do investimento.

O “caso Isabel dos Santos” é a mais acabada demonstração de que é perigoso investir em Portugal.

A delfina angolana foi aplaudida, de forma generalizada, quando investiu na EFACEC e na NOS; agora está a ser perseguida, como se tivesse lepra, e é abandonada pelos seus próprios seguidores.

É evidente que tudo isto assenta no uso do jornalismo para fins perversos e contrários tanto à lei como à ética do jornalismo.

Os media tradicionais estão falidos e deixaram de ter como objeto a notícia, jogando mais no lobbying e no tráfico de influências.

Os mesmos que aplaudiram a delfina estão agora envolvidos num tráfico de mensagens que não só não é gratuito como apela ao apoio monetário dos leitores.

Todos os que, caridosamente, se dedicam à luta contra a corrupção e a cleptocracia apelam ao contributo monetário, no mesmo jeito em que o fazem as igrejas evangélicas.

O jornalismo tornou-se, ele próprio, corrupto e perverso, tal como já tinha acontecido com as entidades que se dedicam aos negócios da transparência e da violência.

A nossa única liberdade é a de desligar as televisões e a de não comprar jornais.

Mesmo que o façamos, continuará a ser perigoso investir em Portugal, uma sociedade demasiado frágil, para ser intoxicada, de forma sucessiva durante semanas sem outro assunto.

Os que investiram no BES e no BANIF perderam tudo e terão as maiores dificuldades em recuperar o que quer que seja.

Porque tudo é grotescamente manipulado.

O que é verdade hoje é mentira amanhã. E as mentiras são, essencialmente, resultados de campanhas de manipulação com que se alimentam os media.

Vai demorar muito tempo a travar a onda de assalto que o atual momento incentiva.

 

Miguel Reis

27 de janeiro de 2020

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