A visão que o novo ministro das Finanças tem de Portugal

Vitor Gaspar dixit:

«Em 1960 a esperança de vida das mulheres à nascença era de 67 anos e passou para os 80 anos em 2000.

Neste período de 50 anos Portugal erradicou definitivamente a ameaça malthusiana da fome e da morte prematura.

No entanto, desde o início dos anos 2000 que a economia portuguesa tem tido um crescimento fraco e abaixo da média da área do euro.

A economia registou uma perda de competitividade externa, crescimento do desemprego, persistentes e elevados défices na balança corrente, persistentes e elevados défices orçamentais e baixo crescimento da produtividade. Neste período, as responsabilidades líquidas sobre o exterior cresceram rapidamente e ultrapassaram os 100% do PIB (107,5% em 2010). O défice orçamental foi frequentemente superior a 3% do PIB e em 2010 situou-se em 9,1% do PIB. O rácio da dívida pública também aumentou rapidamente.

Sendo assim, os maiores desafios da economia portuguesa são, em minha opinião:

  • Crescimento da produtividade e competitividade;
  • Crescimento económico sustentado e criação de emprego;
  • Correcção dos desequilíbrios macroeconómicos fundamentais;
  • Reforço e generalização da concorrência e transformação da estrutura produtiva da economia portuguesa.

Portugal vive hoje uma grave crise no contexto da crise da dívida soberana na área do euro. As vulnerabilidades estruturais e debilidades já referidas manifestaram-se de uma forma aguda. O programa de assistência económica e financeira, acordado com a União Europeia e o FMI, baseia-se em três pilares: primeiro, consolidação orçamental visando o estabelecimento do equilíbrio das contas públicas; segundo, acções visando a manutenção da estabilidade financeira; e, terceiro, um conjunto amplo de medidas estruturais visando melhorar a competitividade e potencial de crescimento.

O programa implica, assim, uma agenda de transformação profunda da economia e da sociedade portuguesa. No fim do processo Portugal terá saído da crise com uma economia competitiva e regressado ao desempenho económico que caracterizou a segunda metade do século XX. Portugal triunfará como economia aberta e competitiva na Europa e no Mundo.

A magnitude da crise em que nos encontramos torna urgente a mudança e requer o esforço de todos. Portugal tem de realizar um significativo ajustamento financeiro. O cumprimento dos objectivos e das medidas previstas no programa é um instrumento para concretizar uma transformação estrutural sem precedentes na história recente. Este é o caminho para um novo ciclo de prosperidade, crescimento e criação de emprego.»

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