A incógnita do Brasil e outras questões

O Brasil é incógnita, porque não tem respostas para ninguém.

A ideia que queda a um observador com alguma experiência é a de que depois de uma catefra de ladrões de galinheiro, estamos a assistir ao verdadeiro assalto.

Os do PT receberiam umas comissões – coisa ainda não provada completamente. Mas as grandes empresas e o núcleo central das influências que movem o poder atual receberiam aos milhões.

Essa contabilidade não está feita, nem se sabe se algum dia será feita.

Nesta data vivemos um facto histórico: a prisão do ex-presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, que promete muitas revelações.

Cunha parece ser um profissional, que não irá deixar seus méritos em mãos alheias.

A popularidade do governo de Michel Temer baixou para 14,6%.  

Outra notícia diz-nos que Lula é o melhor posicionado para as eleições de 2018.

Citamos:

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto para eleição presidencial de 2018, tanto na intenção espontânea quanto na intenção de voto estimulada nos cenários para o primeiro turno, segundo pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta quarta-feira (19), pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).”

No Brasil, estamos a assistir ao descalabro, sob o som daquele velho samba que diz que a vida vai melhorar.

A minha homenagem ao Martinho, que fez uma das mais expressivas músicas do nosso tempo.

Os juros do cartão de crédito subiram até aos 511%. E toda a gente continua a cantar loas, como se vivêssemos no mais normal dos mundos.

Nos últimos dias vivemos um movimento inusitado no escritório de São Paulo, com clientes, portugueses e de outras nacionalidades (franceses, ingleses, alemães e indianos) questionando acerca da viabilidade de investimentos no Brasil.

Oxalá que fosse possível aconselhá-los a investir.

Limitamo-nos a não dar conselho nenhum e a suscitar reflexões sobre estes pontos nevrálgicos:

  1. É muito difícil fazer entrar dinheiro no Brasil e poder utilizá-lo. A primeira dificuldade está na incerteza de que o banco lhe entregue.
  2. Um estrangeiro não residente não pode ser administrador e uma sociedade; e a escolha do administrador (brasileiro ou residente) implica um risco enorme de perda de todo o investimento.
  3. A justiça é muito lenta e protege, de forma especial, os brasileiros.
  4. A legislação trabalhista protege o empregado de uma forma quase ilimitada; os tribunais do trabalho condenam, por regra, a empresa.
  5. A taxa de juro de referência (SELIC) é de 14,15%, mas as taxas de juro comercial no mercado rondam os 40% a 50%.
  6. Os custos de contexto (corrupção) variam de estado para estado mas situam-se entre os 20% e os 40%.

É manifestamente difícil investir com estas condições, mesmo que o Brasil continue a ser o pais onde pode realizar um projeto por 5 e vender por 150. Mas isso só o consegue se conseguir rentabilizar os referidos custos de contexto, o que supõe recorrer às pessoas próprias no momentos próprios.

Em consequência dessa metodologia estão presos dirigentes das maiores empresas brasileiras.

A notícia da tarde diz-nos que terá havido propina no casamento da filha de Cunha.

 

startups fantásticas mas que vão dar mau resultado. É inevitável. Vejam esta e tomem cuidado com mensagens  que toda a gente está a receber a sugerir investimentos deste tipo, uma nova modalidade de pirâmide.

 

Em Portugal, parece que a vida é dominada pela noticia de que ninguém encontra o assassino de Aguiar da Beira.

Já sabem que é um tal Pedro Dias, mas ninguém consegue encontrá-lo.

Quase não há noticias politicas, para além de que o governo considera que o novo imposto sobre o património vai garantir a Segurança Social até 2040.

 

A vergonha da retribuição do novo presidente da CGD – pessoa de quem se não conhece qualquer pensamento – foi tratada como tal numa reunião do Partido Socialista.

O primeiro ministro António Costa respondeu.

Citamos o Observador:

“É uma vergonha o salário do presidente da Caixa Geral de Depósitos. Como é possível alguém ganhar tanto dinheiro assim?”, perguntou a militante do partido (tratou António Costa por “meu camarada”) que participava na conferência organizada pela Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, provocando manifestações de desagrado na sala do Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, cheia de socialistas. António Costa não fugiu à questão, como fez durante o dia, e — apesar do esgar que fez quando ouviu a palavra “vergonha” — argumentou:

A Caixa concorre no mercado como todos os outros bancos e tem de trabalhar no mercado como trabalham os outros bancos. Não é possível que tenha um ordenado alinhado pelo vencimento do primeiro-ministro [como pretende do PCP] e não pelo vencimento normal praticado na banca”.

 

O Banco de Portugal (BdP) vai responder por 29% da redução do défice esperada pelo governo em 2017, ou seja, cerca de 432 milhões de euros (0,23% do PIB). O contributo do supervisor chega pelo aumento dos dividendos que vai distribuir e da duplicação do IRC que terá de pagar. – diz o Diário de Noticias.

As empresas que contratem jovens à procura do primeiro emprego ou desempregados de longa duração vão deixar de ter acesso a isenções da taxa social única, passando a beneficiar de uma redução de 50% no pagamento das contribuições para a Segurança Social. A medida, prevista num projeto de portaria a que o PÚBLICO teve acesso, apenas se aplicará aos casos em que a contratação é sem termo (ao contrário do que acontece agora, em que os contratos a termo são abrangidos) e resultará numa redução face aos apoios que estão atualmente em vigor. – informa o Público.

 

O Dr. Alberto Vaz, nosso colega de Lisboa,  está em Newark e vai fazer uma série de conferências na costa oriental dos Estados Unidos.

A Drª isabel Ferreira está a fazer as malas para viajar para Goa.

A Drª Eva Garcia tem o timão do escritório central, em Lisboa.

A Drª Elaine Cardozo, de São Paulo,  parte esta semana para Lisboa.

Vamos passar a ter no escritório de São Paulo mais um advogado, inscrito na Ordem dos Advogados de Portugal, a fazer reconhecimentos e certificações de documentos a usar em Portugal. É o Dr. Aparecido Prada, de Guarulhos.

Eu próprio vou ficar em São Paulo até ao fim do mês, viajando para Lisboa no dia 30 de outubro.

 

 

Continua a migração do Brasil para Portugal.

Milhares de brasileiros andam a ser diariamente enganados por operadores sem escrúpulos, às vezes patrocinados por entidades respeitáveis.

É mentira que os pedidos de visto ou de autorização de residência para Portugal sejam fáceis e sem burocracia.

Bem pelo contrário são muitos burocráticos e têm que ser assim, porque as fraudes são mais do que muitas e a tentação da falsidade associada ao engenho do engano são enormes.

A “estória” da demonstração da residência em “airbnb” é comum.

A dos contratos de trabalho falsos é antiga.

A última novidade é a da locação de depósitos.

Alguém deposita na sua conta 100.000,00 € e você paga 5% ao mês até “sair” o visto…

Trataremos disso em próxima edição.

Votos de boa semana

 

O editor

Miguel Reis

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