Banif. “Mudança de governo aumentou intransigência europeia”

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Dinheiro Vivo

Comissão Parlamentar de Inquérito ouve esta tarde os dois administradores nomeados pelo Estado para o Banif após a recapitalização do banco

O administrador nomeado pelo Estado para o Banif, Miguel Barbosa, referiu esta terça-feira no parlamento que a mudança de governo após as eleições aumentou o grau de intransigência das instituições europeias em relação ao dossiê Banif.

Issuf Ahmad e Miguel Barbosa, administradores nomeados pelo Estado para o Banif após a recapitalização pública do banco, no início de 2013, estão esta tarde a ser ouvidos na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif.

Na declaração inicial à CPI, Miguel Barbosa apontou que no final de novembro, “o grau de intransigência da Comissão Europeia alterou-se com a mudança de governo”, sem no entanto especificar em maior detalhe esta mudança de postura de Bruxelas. Sobre a mudança de governo, Barbosa realçou ainda que logo após a tomada de posse do executivo socialista os gestores nomeados pelo Estado entraram em contacto com a tutela, mantendo desde então “contactos permanentes” com as Finanças.

Sobre os últimos episódios da “vida” do banco madeirense, o responsável salientou o impacto das notícias da TVI sobre o colapso do Banif nas condições financeiras da instituição, sublinhando que apesar da deterioração que a notícia provocou, “seis concorrentes apresentaram propostas até 18 de dezembro de 2015”, altura em que ainda corria a tentativa de venda voluntária do banco.

Nestas propostas, três eram vinculativas. Contudo, nenhuma delas apresentava uma proposta suficientemente alta para que a transação não fosse considerada ajuda pública. Este processo de venda implicava a separação dos “maus” ativos do Banif numa outra entidade para limpar o balanço do banco e colocá-lo no mercado.

Se a proposta pelo banco fosse inferior ao “buraco” transferido para a nova entidade, então a operação seria vista como apoio estatal. Desta forma, assim que se concluiu que todas as propostas implicavam apoio público, “o processo de venda voluntário foi dado como encerrado nessa noite” de 18 de dezembro, “e o Banco de Portugal tomou o controlo do processo a partir daí”, avançando de forma definitiva a opção pela resolução e venda dos ativos do banco madeirense.