Santander diz que não conseguirá aproveitar créditos fiscais do Banif

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Banco espanhol comprou por 150 milhões de euros negócio que inclui activo de 179 milhões.

O Santander Totta defende que não deverá conseguir aproveitar fiscalmente os activos por impostos diferidos (DTA) que foram incluídos no negócio que comprou ao Banif. Dos 289,1 milhões de euros que estavam no balanço do Banif, o Santander adiantou ao Diário Económico que ficou com 179 milhões.

“Quanto à utilização destes DTAs em termos fiscais, não nos parece que isso venha a ser possível”, defende fonte oficial do Santander Totta ao Diário Económico, na sequência da notícia que deu conta da inclusão dos activos por impostos diferidos do Banif, no pacote de negócios comprado em Dezembro pelo banco espanhol.

O Santander entende que, com a compra, os DTA que eram do Banif perdem o tratamento de acordo com o novo regime especial que, em última instância, permitia a sua conversão em créditos fiscais. Por isso, a sua utilização para baixar a factura de impostos do Santander não será tão garantida: dependente da rendibilidade do próprio Santander, do negócio recém-adquirido e dos limites anuais à utilização de prejuízos fiscais.

Tal como o Diário Económico noticiou sexta-feira passada, o pacote de negócios do Banif que o Santander comprou por 150 milhões de euros inclui parte dos activos por impostos diferidos que a instituição que era liderada por Jorge Tomé tinha inscritos no seu balanço. Dos 289,1 milhões de euros reportados nas contas do Banif a 30 de Setembro de 2015, o Santander ficou com 179 milhões de euros.

O banco espanhol garante que não tem conhecimento dos motivos que justificam a diferença entre os 289,1 milhões de euros que estavam registados nas contas do Banif e o activo de 179 milhões de euros com que ficou. “Podem eventualmente ser parcelas de DTAs que dizem respeito a activos não alienados ao Santander Totta”, sugere fonte oficial do banco. Resta saber se os restantes 110 milhões de euros passaram para o Naviget (o veículo criado na esfera pública para gerir os activos problemáticos do Banif) ou se se mantêm na parte do banco que ficou sem licença de actividade.

Sobre os 179 milhões de euros com que ficou, “o Santander Totta não beneficia em termos de rácios de capital ‘fully loaded’ dos DTAs uma vez que não aderiu ao regime”, garantiu fonte oficial, acrescentando que por isso “nunca se põe a possibilidade de conversão em créditos que o Estado possa ter sobre o Santander Totta”.