Zapatero acaba com financiamento e isenção fiscal da igreja católica

O governo espanhol cancelou a ajuda financeira oficial à Igreja Católica perante a sua oposição aos casamentos gay e envolvimento nas recentes eleições a favor dos partidos da oposição. Reactivos, os bispos aprovaram uma campanha publicitária para a captação de fundos. Na Europa, a Igreja espanhola era a única financiada com dinheiros públicos, segundo dados do Parlamento Europeu. O apoio mensal era de 11,7 milhões de euros, cerca de 141 milhões de euros anuais. O governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado por José Luis Rodríguez Zapatero, pôs termo à “esmola” estatal e cortou o orçamento dizendo que era era “injustificado” e “excessivo”.

A decisão despoletou um agreste conflito entre socialistas e conservadores. Os jornais de direita fazem campanhas editoriais contra o primeiro-ministro. Porém, académicos católicos estão do lado do governo. O professor de Direito Eclesiástico da Universidade Pública de Navarra, Alejandro Gutiérrez, comentou que a medida “até demorou a chegar”, porque a Espanha é um país laico. “Mais de 100 mil sacerdotes tinham o privilégios de isenção de impostos, enquanto um professor, um jornalista ou um funcionário público deve pagar por comprar uma casa”, disse Gutiérrez. Quem discorda da nova lei realça o papel da igreja na prestação de serviços de saúde, educação e combate à pobreza e exclusão social. No entanto, admitem que a separação Igreja-Estado dá ao catolicismo a liberdade para decidir a sua intervenção na sociedade. Certo é que, a partir de agora, a igreja espanhola será financiada pelo Vaticano e pelos fiéis. Os católicos espanhóis poderiam doar à instituição 0,7% dos seus rendimentos, através da declaração de impostos. Os eclesiásticos são os principais críticos das políticas liberais do governo Zapatero. Em 2007, os bispos e cardeais lideraram uma manifestação em Madrid contra o governo Zapatero ameaçando que a democracia espanhola está em risco face à “cultura do laicismo radical”.

Na campanha, o clero revela quais são as necessidades e os compromissos sociais e humanitários da instituição, principalmente fora das missas. A campanha multimédia – e passa-palavra – liderada pelos padres e colaboradores das paróquias incluíu uma massiva operação de sensibilização dentro e fora das igrejas. Os católicos devotos passarão a cobrir os fundos públicos agora indisponíveis. Sobre as suas receitas, a igreja espanhola passará a pagar pela primeira vez os devidos impostos, como qual quer pessoa individual ou colectiva. Um deles é o Imposto de Transmissões Patrimoniais , de Sucessões e Doações, que incide sobre cada bem móvel ou imóvel negociado em nome da Igreja. A manutenção de catedrais, mosteiros e imóveis de património artístico e cultural próprios – estimado em 125 milhões de euros/ano e que era pago à parte por vários ministérios – passará a ser custeado pelos fundos geridos pela Conferência Episcopal. Uma fonte do bispado espanhol informou que os recursos financeiros estatais representavam cerca de 30% da administração de cada diocese.

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