WikiLeaks.: Japão sabia que centrais nucleares só resistiam a sismos até 7,0 graus

Explosão na central nuclear japonesa Fukushima-DaiichiDocumentos secretos da diplomacia norte-americana, divulgados ontem pela WikiLeaks, revelam que cientistas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) terão informado o Japão, em Dezembro de 2008, de que as suas normas de segurança estavam obsoletas e que a possibilidade de sismos superiores a 7,0 na escala de Richter constituiam um “problema sério” para as centrais nucleares nipónicas.

Segundo o jornal i online, na altura, o governo japonês comprometeu-se a actualizar as condições de segurança de todas as centrais do país, o que parece não ter acontecido. 

O governo nipónico terá construído um centro de resposta a emergências, mas este estava desenhado apenas para enfrentar sismos com magnitude inferior a 7,0 na escala de Richter. O que atingiu a costa noroeste do país há uma semana, contudo, foi muito mais forte, atingindo 8,9. Ontem, a situação na central, situada a 240 quilómetros de Tóquio, continuou a piorar, com os níveis de radiação a subirem para 4.000 microsievert por hora (o corpo humano aguenta exposições a 1.000 microsievert por ano).

A meio da tarde, Obama fez uma visita surpresa à embaixada japonesa em Washington, para assinar um livro de condolências e reiterar o compromisso de auxiliar o país. “Os EUA sentem grande urgência em ajudar o Japão”, disse aos jornalistas.

Os 50 funcionários que continuam na central a tentar arrefecer os primeiros quatro dos seis reactores da central Fukushima Daiichi receberam, entretanto, da Marinha norte-americana 100 fatos de protecção e máscaras para acidentes nucleares, biológicos e químicos – equipamento que servirá para minimizar os efeitos da exposição à radioactividade. O grupo já foi baptizado de “os 50 de Fukushima” e vários artigos têm sido dedicados aos homens, apelidados de “heróis-mártires” em “missão suicida”.

A Tokyo Electric Power Co. (TEPCO), empresa que opera a central, abriu ontem uma conta oficial de Twitter que à hora de fecho da edição já contava com mais de 117 mil seguidores. Na primeira mensagem oficial publicada naquela rede social, pedem desculpa à população “por ter causado graves preocupações com o acidente na central nuclear nº 1 de Fukushima, com a fuga de radiação e os cortes de electricidade controlados.”

MRA Alliance

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