Wikileaks: Alemanha e EUA desenvolvem conjuntamente satélites espiões

Telegramas diplomáticos dos Estados Unidos cedidos pelo Wikileaks a um jornal norueguês indicam que Washington e Berlim se associaram num projecto secreto para o desenvolvimento de satélites espiões, no âmbito de um programa comercial apesar da oposição do governo francês. Os telegramas divulgados cobrem o período de Fevereiro de 2009 a Fevereiro de 2010. O diário norueguês Aftenpost publicou ontem telegramas confidenciais da embaixada norte-americana em Berlim sobre o projecto HiROS (High Resolution Optical Satellite System), que visa a construção de um número indeterminado de satélites de observação de alta resolução capazes de identificar qualquer objecto no planeta até à dimensão de 50 centímetros. 

Funcionários dos EUA e da Alemanha, face aos controversos impactos do programa, apresentam-no como um projecto civil, com propósitos ambientais e coordenado por entidades comerciais. No entanto, de facto, segundo os documentos recolhidos pelo Wikileaks é totalmente controlado pelos serviços secretos alemães BND e pelo centro aeroespacial alemão DLR.

“O objectivo do HiRos consiste em transmitir dados para os serviços públicos, por exemplo para gerir situações de crise relacionadas com catástofres naturais, explicou o porta-voz da DLR Andreas Schuetz à Agência France-Presse, através de um email. “HiROS não é um satélite espião nem um projecto secreto”, precisou Schuetz. 

O jornal norueguês refere que a França usou todos os meios possíveis para impedir o projecto mas esbarrou com a firme oposição dos funcionários germânicos que se afirmaram cansados de serem “usados e ultrapassados pela França”. “Não está previsto nenhum tipo de cooperação com França nem com nenhum outro país da União Europeia relativamente ao projecto HiROS”, precisou Andreas Eckart, executivo da DLR. 

Segundo o Aftenposten, os satélites têm um custo estimado de 205 milhões de euros e deverão entrar em operação entre 2012 e 2013.

MRA Alliance

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