Viena e Berlim pressionam discretamente Lisboa a pedir resgate financeiro

Para os economistas na Alemanha, a questão que se coloca não é se Portugal vai recorrer a ajudas europeias, mas quando e quanto. O primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, adiantou a soma de 75 mil milhões de euros como suficientes para Portugal.

Ontem, o governador do Banco Central da Áustria, membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu, Ewald Nowotny, pressionou Lisboa para recorrer rapidamente ao fundo de resgate do euro.

Viena e Berlim coordenam estreitamente as suas políticas dentro da União Europeia. Mas sensível a acusações de ingerência, o Governo alemão, da chanceler Angela Merkel, mantém-se circunspecto neste contexto, tentando evitar a todo o custo parecer estar a pressionar Portugal.

Em público, Merkel não poupa elogios a Sócrates, apesar de Pedro Passos Coelho ser mais próximo da família política da chanceler. E Juncker, sexta-feira, um dia depois de ter dito que o pedido de ajuda de Portugal deveria equivaler a 46% do PIB disse: “Penso que Portugal não vai apresentar um pedido de assistência financeira”. Declarações proferidas em vésperas das eleições na Alemanha, num Estado que vê com maus olhos o socorro a mais um país incumpridor.

MRA Alliance/DE

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