Uma nova recessão pode já estar em marcha, diz Roubini

Nouriel Roubini As possibilidades de a economia global voltar a entrar em recessão estão a aumentar devido aos planos para acabar com os programas de estímulo económico, escreve o economista Nouriel Roubini num artigo de opinião publicado hoje no Financial Times.

“Existem riscos associados com as estratégias de saída das políticas massivas de estímulo monetário e económico. Os responsáveis irão ter graves problemas, independentemente das decisões que tomem”, prevê Roubini, um dos especialistas que melhor antecipou a presente crise financeira global. Em sua opinião, os governos e os bancos centrais porão em risco a retoma económica, aumentando os riscos de ‘estagflação’, uma mistura de estagnação com inflação, caso aumentem os impostos, cortem nas despesas e reduzam o excesso de liquidez nos sistemas financeiros para equilibrar os défices orçamentais.

Em contrapartida, se aquelas medidas não forem tomadas, os grandes défices estatais, designadamente nos EUA e no Reino Unido, serão fortemente penalizados pelos mercados obrigacionistas, já que as expectativas de inflação e os juros que aquelas nações terão de pagar pela sua dívida irão subir fortemente, o que irá levar a uma situação de estagflação, sustenta Roubini.

O economista note-americano calcula que, com os actuais pacotes de emergência financeira, a economia global irá “bater no fundo” no segundo semestre de 2009, embora a recessão não deva estar “formalmente terminada” nos EUA e no Reino Unido antes do fim do ano, ao contrário da China, Alemanha, França, Austrália e Japão, onde a recuperação já terá começado.

“Sumariamente – conclui Roubini – a retoma deverá ser anémica e abaixo das tendências nas economias avançadas existindo um risco grande de recessão com retomas ligeiras e intercaladas [double-dip recession].”

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