UE: Sarkozy vai à Irlanda para “ouvir” e “compreender” razões do “não”

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assegurou, em declarações ao jornal Irish Times, que vai amanhã à Irlanda “para ouvir e compreender” as razões do “não” irlandês ao Tratado de Lisboa. “Eu preciso de compreender a mensagem que os irlandeses quiseram dar quando votarão `não` ao Tratado assinado pelos representantes dos 27 Estados membros”, disse Sarkozy, numa alusão aos 53% de irlandeses que, no referendo de 12 de Junho, disseram não à reforma institucional da União União Europeia. “Fui dos primeiros líderes europeus a dizer publicamente que a decisão democrática do povo irlandês deve ser respeitada”, acrescentou.

Sarkozy, que exerce a presidência da União Europeia até Dezembro, vai a Dublin avaliar com as autoridades possíveis soluções para o impasse criado pela consulta popular irlandesa. O Tratado de Lisboa, não entrará em vigor se não for ratificado por todos os Estados-membros. A Irlanda é o único país da UE constitucionalmente obrigado a aprovar os tratados europeus através de referendo. A visita realiza-se após Sarkozy ter defendido que os irlandeses “devem voltar a votar” o Tratado. Vários responsáveis políticos irlandeses reagiram mal à sugestão. A presidência francesa desdramatizou as declarações. O conselheiro de Sarkozy, Henri Guaino, considerou que o incidente foi provocado por as declarações terem sido “retiradas do contexto” e sustentou que o referendo é “uma hipótese entre outras”. Na entrevista ao Irish Times, o presidente francês rejeitou que os outros 26 Estados-membros possam avançar sem a Irlanda: “Eu não quero uma Europa a várias velocidades. (…) Essa só pode ser uma solução de último recurso”, disse. O presidente da França enfatizou todavia que as opções do governo irlandês estão limitadas ao Tratado de Lisboa por não ser possível a sua renegociação. “Não me parece que os 26 parceiros da Irlanda estejam dispostos a lançar uma nova Conferência Inter-Governamental (renegociação do tratado) e também não me parece que seja isso que os europeus querem”, disse. Numa altura em que os media irlandeses noticiam que o Governo se prepara para organizar um segundo referendo no Outono de 2009, Sarkozy frisou na entrevista que, antes disso, têm de ser tomadas decisões sobre as eleições europeias. Acautelando que não pretende impor qualquer calendário aos irlandeses, o presidente em exercício da UE defendeu que “os europeus precisam de saber em que termos vão eleger os seus representantes no Parlamento Europeu (PE)” [Junho de 2009] “mas têm de ser organizadas vários meses antes”. O Tratado de Lisboa inclui uma série de disposições que afectam o Parlamento Europeu, designadamente por alargar o conjunto das suas competências e redefinir a relação entre o PE e a Comissão Europeia. “Independentemente de o Tratado de Nice se manter em vigor ou de o Tratado de Lisboa entrar em vigor, temos de eleger um novo Parlamento Europeu em Junho de 2009 e nomear uma nova Comissão Europeia em Outubro do mesmo ano”, disse. MRA/Agências

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