UE: Crise financeira e cambial na Europa de Leste divide políticos e ameaça Euro

A presidência checa da União Europeia, secundada por vários Estados-membros, rejeitou um plano específico para ajudar a Europa de Leste a enfrentar a actual crise económica, ideia protagonizada pela Hungria.

“Não acho que a Europa de Leste seja uma área especial, acho que não é necessário separar vários países dentro da UE. Apoio uma ajuda da União a todos os países que dela necessitem, e não especialmente ao Leste”, disse hoje Mirek Topolanek, primeiro-ministro checo, por ocasião Cimeira dos 27 sobre a crise económica mundial.

A situação financeira de alguns Estados-membros leste europeus é considerada muito grave e preocupante por muitos especialistas internacionais. A empresa texana Hayman Advisors, que ganhou USD 500 milhões a especular com a crise hipotecária nos Estados Unidos, no final de Fevereiro, considerou que a união monetária europeia está à beira do colapso.

A gravidade da situação é agravada pela resistência dos países mais ricos em aprovar um programa de emergência, financeiro e cambial, para os Estados-membros da Europa do Leste e para os bancos austríacos, espanhóis e italianos ameaçados com avultados incumprimentos no serviço das dívidas.

O director da empresa Richard Howard, citado pela agência Bloomberg, admitiu a possibilidade de “os calotes poderem levar a Alemanha a renunciar ao Euro.”

Durante a reunião de Bruxelas, a Hungria assumiu a defesa de um plano especial para a região. Entre os opositores contou-se também a Estónia, que defendeu conduzir à criação de diferentes “blocos” entre os 27.

“Não creio que haja necessidade de apoiar a Europa de Leste [em bloco], são países muito diferentes”, afirmou Andrus Ansip, primeiro-ministro estónio, que contrastou nomeadamente a situação vivida no seu país com a da vizinha Letónia, a braços com uma grave crise financeira.

Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro luxemburguês, o seu homólogo sueco Fredrik Reinfeldt mostraram-se favoráveis à ideia de “solidariedade” para com os países europeus de Leste mais afectados, pondo de parte uma ajuda em bloco, tal como o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

“Estamos confrontados com um período muito difícil e a mensagem que ouvi hoje é que devemos enfrentar a crise num espírito de verdadeira solidariedade”, afirmou. Porém, referiu que as políticas da Comissão irão levar em conta as “dificuldades específicas” dos países mais afectados.

Ferenc Gyurcsany, primeiro-ministro da Hungria, um dos países europeus mais afectados pela crise financeira mundial, pretendia o lançamento de um plano de ajuda específico para as instituições financeiras da região, até 190 mil milhões de euros.

Na sexta-feira, instituições financeiras internacionais como o Banco Europeu de Investimentos, Fundo Monetário Internacional e BERD comprometeram-se a apoiar os países da região com uma verba até 24,5 mil milhões de euros, caucionada pelo Banco Central Europeu.

Tal como a Polónia, Gyurcsany defende ainda uma aceleração da integração dos países de Leste na zona euro, onde actualmente estão apenas Eslovénia e Eslováquia.

“No início dos anos 1990 reunificámos a Europa. Agora, o desafio é se seremos capazes de reunificar financeiramente a Europa. Não podemos deixar que uma nova Cortina de Ferro seja criada para nos dividir”, afirmou o chefe de Governo húngaro.

MRA Alliance/Agências

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