Tunísia: Tensões continuam e Presidente Ben Ali foge para local desconhecido

Manifestação anti-presidencial na TunísiaO primeiro-ministro da Tunísia, Mohammed Ghannouchi, anunciou que vai assumir interinamente a presidência, substituindo o Presidente Zine El Abidine Ben Ali terá entretanto abandonado o país, garantem fontes que lhe são próximas.

Horas antes, Ben Ali demitira o Governo, convocou eleições para Junho e  declarou o estado de emergência sob uma forte onda de contestação política e social dos tunisinos que continuam a exigir a demissão imediata do chefe de Estado. As medidas foram anunciadas um dia depois de Ben Ali ter declarado que não iria concorrer às Presidenciais de 2014, ao cabo de 23 anos no poder, e de ter decretado a redução de preços de vários bens essenciais.

A comunicação não bastou para pôr termo aos protestos que hoje prosseguem nas ruas das principais cidades tunisinas. As manifestações, que duram desde Dezembro, causaram pelo menos 23 mortos, segundo o Governo, ou mais de 60, de acordo com a oposição ao regime. Durante a última noite, e segundo fontes médicas, terão morrido 13 pessoas na capital do país, Tunes.

Nas ruas, continuam os apelos à demissão imediata de Ben Ali. As forças de segurança ameaçam recorrer de novo às armas, depois do próprio Presidente ter supostamente proibido o recurso a munição real.

Os protestos na Tunísia começaram em Dezembro após o suicídio de um jovem diplomado no desemprego, a quem a polícia confiscou a banca de fruta que garantia a sua subsistência. O desemprego, a inflação, a censura e as suspeitas de corrupção que pairam sobre a família de Ben Ali, que controla a economia do país, são os principais motivos para a inédita vaga de contestação na nação norte-africana, tida até agora como uma das mais estáveis do continente.

MRA Alliance/Agências

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