Tunísia: Mulher de Ben Ali suspeita de ter roubado 1,5 toneladas de ouro

Ben Ali e mulher Leila TrabelsiOs serviços secretos franceses suspeitam que Leila Trabelsi, mulher do deposto Presidente tunisino, Zine El-Abidine Ben Ali, fugiu do país com uma tonelada e meia de ouro, que terá levado do Banco Central, horas antes de o marido ser forçado a abandonar o poder, noticiou o “Le Monde”, citado pelo Público. O diário francês cita um conselheiro do Eliseu, revelando que a informação partiu essencialmente de fonte tunisina, em particular o Banco Central, tendo sido “relativamente confirmada”.

Segundo estas fontes, Trabelsi – cuja família é suspeita de se ter apropriado de várias empresas do país – terá ido pessoalmente ao banco exigir os lingotes, o que lhe foi recusado pelo governador. “Telefonou então ao marido que primeiro lhe repetiu a recusa, mas depois cedeu”, referem as mesmas fontes, adiantando que a ainda primeira-dama apanhou um avião em direcção ao Dubai antes de se juntar ao marido na Arábia Saudita.

No entanto, o Banco Central da Tunísia (BCT) negou hoje que a esposa do presidente derrubado Zine el Abidine Ben Ali, Leila, teria roubado o ouro antes de fugir do país. “As reservas de ouro do banco central da Tunísia não foram tocadas nos últimos dias”, declarou à AFP uma fonte oficial da instituição. “As reservas em moeda tampouco foram tocadas, o país tem regras muito estritas”, acrescentou a fonte, afirmando que “o diretor do BCT não recebeu ninguém nos últimos dias, inclusive Leila (Trabelsi) ou o próprio Ben Ali”.

O Governo francês, que tem sido acusado pela oposição de reagir tardiamente aos acontecimentos na Tunísia, mantendo até quase ao fim o apoio a Ben Ali, prometeu sábado “bloquear administrativamente” todos os “movimentos financeiros suspeitos envolvendo bens tunisinos em França”, onde a família do ex-ditador tunisino tem várias propriedades e contas.

O desespero e a revolta demonstrados por cidadãos tunisinos estão a alastrar-se a outros países do mundo árabe, refere a edição de hoje do jornal Público. Um homem egípcio imolou-se esta manhã junto ao edifício do Parlamento, no Cairo, num protesto contra as precárias condições de vida, reproduzindo actos similares que ocorreram nas últimas semanas na Tunísia e na Argélia. Um outro homem também se imolou na Mauritânia, junto ao palácio presidencial.

MRA Alliance/pvc 

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