Três gigantes da banca americana condenados à falência ou à nacionalização

O relatório referente ao último trimestre de 2008, elaborado pelo regulador bancário norte-americano (Office of the Comptroller of Currency) não deixa margem para fantasias e optimismos inconsequentes. Os maiores bancos americanos estão condenados à falência ou à nacionalização, como se depreende do quadro seguinte:

Gigantes da banca americana à beira do colapso

(milhares de milhões/bilhões de dólares americanos)

Dados Contabilísticos

Bank of America (BOA)

Citigroup

BOA + Citi

J.P.Morgan (JPM)

Activos (Total)    1.831 2.050 3.881 2.251
Derivativos (Total) 38.186 39.979 78.165 91.339
CDS – Credit Default Swaps 3.291 2.467 5.758 9.250
Exposição a incumprimentos  Contratuais (em %) 117,6 259,5   400,2

                          (Fonte: OCC/US Department of Treasury)

As situações acima ilustram a realidade dos bancos referidos e fornecem pistas para o que irá acontecer ao sistema financeiro global em 2009. A nossa principal advertência parte do princípio de que os gigantes também caem…          

1. Os activos conjuntos dos dois colossos Bank of America e Citigroup ascendem a quase quatro mil milhões/bilhões (mm/bi) de dólares. Este montante supera em 4000% (quatro mil por cento) o que ambos, até agora, receberam em injecções de capital do Fed e do Tesouro dos EUA para impedir a bancarrota;

2. Em conjunto, o Bank of America e o Citigroup lideram o mercado dos produtos financeiros derivados. As suas responsabilidades contratuais superam os 78 mil biliões/trilhões de dólares – dez vezes superiores ao valor dos derivativos que atiraram o banco Lehman Brothers para a falência. Uma ínfima parte daquelas dívidas já está vencida e afectará os seus balanços nos próximos trimestres. Porém, a parte de leão vence-se entre 2009 e 2011;

3. O Bank of America e o Citigroup, respectivamente, são os segundo e terceiro maiores operadores no mercado das “armas financeiras de destruição maciça” – Credit Default Swaps (CDS) – uma das versões mais especulativas de seguros de riscos de crédito. Estes são os instrumentos financeiros responsáveis pela hemorragia da maior seguradora norte-americana – American International Group (AIG). Nacionalizada em Setembro de 2008, a AIG encontra-se actualmente em “coma financeiro profundo”;

4. O JPMorgan Chase, de acordo com os dados do OCC, está “super-alavancado”. Por cada dólar de capital e activos alocou quatro dólares em arriscados investimentos. Os riscos de incumprimento e calotes são enormes. O banco está entalado em contratos CDS que ascendem a USD 9,2 mm/bi, quase o dobro da exposição conjunta dos seus dois outros concorrentes. O rácio capital/risco do JP Morgan é muito superior à exposição do Bank of America e do Citigroup colocando-o na primeira linha dos “próximos bancos a cair”. Em conjunto, e exponencialmente, isto aumenta o tríplice efeito das jogadas daqueles bancos na pirâmide especulativa global;

5. Acresce que as dinâmicas recessivas e os sinais de deflação em alguns mercados internacionais prenunciam um forte agravamento da situação em 2009. O galopante aumento dos incumprimentos contratuais e a persistência dos incidentes bancários nos múltiplos segmentos da dívida – papel comercial, hipotecas de privados e de empresas, leasings automóveis, cartões de crédito, etc. – só poderão agravar a crise norte-americana e contaminar a economia global.

As leis da gravidade são irreversíveis. Não há dinheiro que vede o buraco financeiro norte-americano. Tão pouco os outros países ou blocos económicos dispõem de recursos para reverter a situação. As consequências imediatas são previsíveis:

 – Queda acentuada nas cotações dos bancos e empresas financeiras e, por arrasto, dos principais índices bolsistas;

– Agravamento das condições de capitalização dos operadores financeiros;

– Agudização dos problemas nucleares da crise, resultantes do excesso de endividamento e do laxismo na assunção dos riscos financeiros e monetários;

– Aprovação e execução de mais programas (inúteis) para salvar o sistema com o consequente agravamento das dívidas públicas e dos défices orçamentais;

Continuaremos a acompanhar a evolução destes três protagonistas da crise global.

O que lhes acontecer influenciará decisivamente o futuro do sistema financeiro mundial.

MRA Dep. Data Mining

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