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Carta da Drª Rafaela Machado aos compatriotas brasileiros

sexta-feira, maio 25th, 2018

Prezados compatriotas,

Prazer, eu me chamo Rafaela, sou brasileira, cearense, advogada, tenho 29 anos e, como muitos de vocês, estou bastante preocupada com a atual situação de instabilidade política, social, econômica que o nosso país se encontra. A brutal inversão de valores faz dos honestos, babacas; das vítimas de violência, “aquele que deu bobeira”; dos críticos a tudo isso, chatos; enquanto o mundo gira e o tempo passa…

Diante de tantos problemas enfrentados diariamente no Brasil, só nós, brasileiros, conseguimos mensurar e ser sensíveis uns aos outros. Fato. Não há camarada no mundo – que nunca viveu em uma sociedade com tais peculiaridades – que consiga ter empatia por alguém que se surpreenda por poder caminhar na rua sem receio, por exemplo. É necessário sentir na pele o medo para conseguir respirar aliviada ao caminhar sozinha em paz (sensação impagável!).

Ocorre que a preocupante conjuntura brasileira gera uma consequência natural que acontece desde que o mundo é mundo: a imigração. O êxodo de brasileiros para Portugal nos últimos anos aumentou drasticamente, reflexo da tolerância brasileira frente a tal situação se esgotando, fato absolutamente aceitável.

O que vejo como inaceitável é imigrantes brasileiros chegarem aqui em Portugal com a ideia de repetir o padrão brasileiro equivocado de viver a vida. A vulgar expressão “jeitinho brasileiro”, que tantos adeptos desse estilo de vida enchem a boca para expeli-la e orgulham-se por se considerarem mais espertos que os honestos, deve ser extirpada da sociedade, juntamente com o seu significado.

A falta de planejamento diante de algo tão grandioso, a mudança de país, pode acarretar problemas exponencialmente maiores do que se pode imaginar. Sempre escuto umas frases feitas que recebo com um certo receio como: “Portugal está de portas abertas!” (depende, esteja legal, tenha um propósito real); “Portugal está precisando de mão de obra” (pode até ser, mas seria bom checar qual seria “obra” pra ver se a sua “mão” é aceita); “o custo de vida em Portugal é baixo” (relativo, já viu quanto custa o aluguel de um apartamento de 1 quarto em Lisboa?).

Há quem diga que mudar de país é como nascer de novo, só que já adulto e com várias verdades impostas em nossas mentes. Ou seja, não é um processo tão descomplicado como pintam, há vários órgãos públicos que precisam ser visitados e muitas decisões de ordem prática que precisam ser tomadas, desde onde morar, em que trabalhar, até o que vestir, sem esquecer de acrescentar muita resiliência nesse pacote.

A finalidade desta carta é de alertá-los à necessidade de, em termos práticos, fazer um bom planejamento migratório e de ter uma relevante reserva financeira. Por exemplo, há a possibilidade de abrir um negócio em Portugal. Para concretizar, é preciso fazer um investimento, verificar a viabilidade de seu negócio, sem esquecer de faturar, afinal, a autorização de residência a ser solicitada de tempos em tempos só será concedida se o seu negócio estiver saudável.

Em resumo:

PLANEJE-SE

PROTEJA-SE

NÃO ARRISQUE PARA ALÉM DOS LIMITES porque

MIGRAR NÃO É FÁCIL

 Rafaela Machado

OAB/CE 28420