Startups

Citamos o Observador:

Regressei na sexta-feira de Telavive, quando os principais líderes mundiais se preparavam para despedir de Shimon Peres. O Nobel da Paz deixou o país de luto e toda uma geração com “menos esperança no futuro da paz” – a mesma geração que ajudou a fazer da cidade a casa dos principais centros de Investigação & Desenvolvimento dos gigantes tecnológicos que hoje propagam nos nossos computadores e smartphones. Ainda que tivessem de trabalhar debaixo de ataques aéreos. Ainda que tenham de substituir computadores por armas se o telefone tocar.

É impossível dissociar o progresso tecnológico que se vive em Telavive da experiência militar obrigatória pela qual os israelitas passam quando terminam o ensino secundário; do conflito israelo-palestino sobre a terra que se diz “santa”; das limitações geográficas e da ausência de recursos naturais do país. É por isso que dizem que são soldados antes de serem engenheiros. Antes de serem empreendedores. Antes de serem estudantes. Também deve ser por isso que são especialistas em “traduzir inovação tecnológica em prosperidade económica”.

Quando se pergunta a um israelita porque conseguiram criar tantas desvantagens em oportunidades de negócio (Israel é o terceiro país do mundo com mais empresas cotadas no Nasdaq), a resposta vem com ADN. É a cultura, é a história, é o chutzpa dos israelitas. É o querer arriscar, mesmo que se falhe. Mas não é só. O que faz do país uma “Nação Startup” também são as políticas públicas que têm vindo a ser implementadas nos últimos 20 anos, aquilo a que Avi Hasson, investigador-chefe do Ministério da Economia, chama de “infraestruturas da inovação”.

Portugal também tem desvantagens, mas transformou-as em prosperidade? Numa altura em que tanto se fala de startups, Web Summit e de como a tecnologia pode efetivamente afirmar-se como um dos pilares da economia, importa falarmos também do que falta, do que fazemos de errado, das dificuldades das nossas infraestruturas. Estamos preparados para falar abertamente de falhanços como Yossi Vardi?

Neste vídeo de dois minutos, os investidores não falam de falhanços, mas do que é proibido na Web Summit. Como esquecerem-se de ler o Observador, diria eu. Tenham uma ótima semana. Até terça.

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