Spreads da banca asfixiam PME portuguesas, diz Prémio Nobel

Joseph StieglitzO Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglizt, que participou hoje nas Conferências do Estoril, defendeu que a saída para estimular a economia portuguesa, sem gastar muito dinheiro dos cofres do Estado, passa por «tornar o crédito mais acessível» às pequenas e médias empresas, «com taxas de juro mais baixas».

Esta via «terá um custo orçamental muito mais baixo» mas tem de ser feita «com cuidado» para não emprestar dinheiro a quem não pode pagar, acrescentou.

Na opinião do prémio Nobel da Economia, o Executivo português deve apostar numa forma de controlar os “spreads” que os bancos praticam no mercado, já que perdeu a capacidade de controlar política monetária quando aderiu ao euro.

“O Banco Central Europeu controla a taxa de juro oficial, mas a taxa a que as empresas conseguem pedir emprestado pode ser diferente no mercado. Ora, uma das consequências desta crise é que o “spread” tem aumentado no mercado. As políticas governamentais podem afectar a magnitude desses “spreads”», explicou.

«Penso que países como Portugal devem pensar mais em formas como podem controlar isso [o acesso ao crédito] e, dessa forma, a competitividade», sublinhou. 
Stiglitz sugeriu a criação de «garantias governamentais sobre os empréstimos».
  
Para Stiglitz, a crise mundial «pôs em evidência algumas das dificuldades que alguns dos países da União Europeia enfrentam». «Houve uma troca: vocês abdicaram de um instrumento importante que foi [o controlo sobre] as taxas de juro. A vantagem disso foi terem conseguido alguma estabilidade. Mas os benefícios aconteceram durante o período de crescimento, os custos estão a surgir agora no período de crise», acrescentou.

MRA Alliance/Agências

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