Sócrates diz que austeridade pode chegar até 2013 e não pede desculpa ao povo português

Sócrates em entrevista à RTP1O primeiro-ministro José Sócrates garantiu que o Governo “não hesitará em manter as medidas de austeridade até 2013 se for preciso”. Na entrevista que deu à RTP1, o chefe do Governo acrescentou que fez “tudo para não aumentar os impostos” e explicou as medidas de austeridade que o Executivo impôs ao país. Questionado sobre se não devia pedir desculpas aos portugueses por ter aumentado os impostos, contrariamente ao que tinha prometido durante a última campanha eleitoral e confrontado com a atitude do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que pediu desculpa por ter viabilizado as medidas de austeridade, José Sócrates disse que só o teria de fazer se não tivesse coragem para tomar as medidas necessárias face a um quadro de crise financeira.

“Não peço desculpa por cumprir o meu dever e fazer o que é imprescindível para defender o país. Teria de pedir desculpa se não tivesse a coragem de tomar as medidas necessárias”, respondeu o líder do Executivo. José Sócrates reforçou depois que “só pede desculpa quem não faz aquilo que deve” e que “a ética da responsabilidade deve prevalecer”. Já sobre a atitude de Pedro Passos Coelho ter pedido desculpa, Sócrates disse que “cada um fala por si”.

O primeiro-ministro garantiu que não há nenhuma divergência entre ele e o ministro das Finanças sobre a duração das medidas de austeridade. Na semana passada José Sócrates tinha falado de medidas para durarem ano e meio e Teixeira dos Santos admitiu entretanto que talvez seja necessário prolongar as medidas até 2013.

Referindo-se especificamente ao imposto extraordinário e ao aumento do IVA Sócrates afirmou: “temos a intenção de as aplicar imediatamente, para vigorar em 2010 e em 2011, mas se chegar o fim de 2011 e se revelar necessário manter essas medidas, mantê-las-emos” garantindo ainda que as restantes medidas de redução da despesa “vão manter-se até 2013”. A este respeito o chefe do Governo enfatizou que “o ministro das Finanças disse que se for preciso manteremos as medidas”, sublinhando no entanto que as mesmas só têm o apoio do PSD “até o final de 2011”.

Relativamente à promessas anteriores de não aumentar impostos, o primeiro-ministro invocou a mudança nas condições de financiamento internacional, explicando que “o mundo mudou” no final de Abril e no princípio de Maio. Sócrates lembrou que “os juros das Obrigações do Tesouro passaram de cerca de 5 por cento, e uma semana depois estavam nos 7 por cento”.

“O mundo mudou nessa semana”, enfatizou o chefe do Governo, tendo havido “mudanças muito significativas nos mercados internacionais” e um ataque “especulativo e inesperado ao euro”. “Essas três semanas (entre o final de Abril e meados de Maio) foram decisivas para mudar toda a Europa”, disse o líder do Executivo, salientando que os outros países europeus também estão a tomar medidas para acelerar a redução do défice.

MRA Alliance/RTP 

Leave a Reply