Sócrates demite-se e responsabiliza oposição pela crise política

José SócratesDepois de apresentar a sua demissão a Cavaco Silva, em Belém, logo após o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), no Parlamento, o primeiro-ministro José Sócrates responsabilizou a oposição por um eventual pedido de ajuda de Portugal ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Falando em «coligação negativa» e na falta de qualquer espaço para o diálogo político com o Governo, José Sócrates acusou os partidos da oposição de se unirem apenas com interesses eleitoralistas e sem pensar em Portugal. De forma consciente a oposição tirou ao Governo todas as condições para continuar a governar, considerou.

O primeiro-ministro demissionário falou ainda em «obstrução» levada a um limite intolerável, que bloqueou a acção do Executivo e prejudicou o país, e alertou que esta crise política é totalmente inoportuna, devido às dificuldades económicas já sentidas pelo país. O ainda Chefe do Governo prometeu ainda uma atitude institucional durante o governo de gestão que se iniciará logo que Cavaco Silva aceite o pedido de demissão.

O líder do PSD, Passos Coelho, logo após o anúncio do pedido de demissão do primeiro-ministro, que o PSD não se empenhará numa «campanha de medo» e que quer eleições para um novo Governo que aplique uma «estratégia verdadeiramente nacional».

A votação contra o PEC «abriu caminho a que Portugal possa vir a apresentar, quer aos mercados quer aos parceiros, uma estratégia de médio e longo prazo que finalmente enfrente os problemas» e não se limite a, de seis em seis meses, «pedir sacrifícios redobrados aos portugueses» sem dar esperança. Passos acusou ainda o Governo de apostar numa estratégia de «vitimização» e num «jogo de culpas», depois de José Sócrates ter responsabilizado a oposição pela sua demissão.

«Precisamos de conhecer a verdadeira situação financeira, não podemos continuar a dizer ao país que não são precisas mais medidas e depois ameaçamos que vem ajuda externa se as medidas de austeridade não forem aprovadas», repetiu, numa crítica ao Governo.

MRA Alliance/Agências

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