Sócrates defende nova taxa sobre operações interbancárias

José Sócrates defende a criação de uma “nova taxa generalizada sobre operações financeiras”, de modo a gerar receitas para colmatar parte da pesada “factura” que os Estados tiveram de suportar no resgate do sector, noticia hoje o Diário Económico. Segundo o jornal, o primeiro-ministro apoiará a proposta da Comissão Europeia esta noite, em Bruxelas, durante a cimeira extraordinária convocada para o acerto de posições entre os países membros da União Europeia na reunião do G20, que decorrerá na próxima semana em Pittsburg, nos EUA.

“Portugal vai defender que a União Europeia proponha na reunião do G20 a criação, a nível internacional, de uma taxa generalizada sobre operações financeiras realizadas entre operadores financeiros”, revelou Sócratas ao Diário Económico. O primeiro-ministro justifica a medida com o objectivo de que “o sector financeiro suporte parte dos custos que os países tiveram que incorrer com a crise financeira”, acrescenta o jornal.

Em declarações ao Jornal de Negócios, o porta-voz do primeiro-ministro precisou esta manhã que Sócrates espera que o assunto seja abordado no encontro desta noite, mas sublinhou que se trata de uma proposta ainda vaga. Para já, Lisboa defende que uma nova taxa deve ser leve, eventualmente em torno de 0,1%, e aplicável apenas às operações interbancárias, e não às que envolvem as operações com os clientes – que, mais cedo ou mais tarde, tenderão, porém, a ver-lhes reflectido o respectivo custo.

Sugestões idênticas têm vindo a ser avançadas por alguns responsáveis políticos, e mesmo do sector. Adair Turner, coordenador de um dos mais detalhados estudos sobre a reforma do sistema financeiro mundial e presidente da autoridade máxima de regulação do sistema financeiro britânico, Financial Services Authority (FSA) defendeu uma proposta semelhante no fim de Agosto.

Num artigo de opinião, publicado no “Financial Times”, o autor do “Relatório Turner” dfendeu a criação de um imposto global sobre transacções financeiras, em termos idênticos ao que foi proposto pelo economista James Tobin  pode dar um contributo para garantir que a banca passará a funcionar numa base mais sã. Tobin, porém, sugeriu que a receita seja canalizada para ajudar os países mais pobres.

Turner criticou os milionários prémios pagos aos administradores bancários, classificando-os de “incompreensíveis” e “incomportáveis” para a sociedade. No entanto, mais recentemente, disse que a polémica sobre o assunto está contaminada de “populismo” e manifestou o receio de que possa desviar a atenção das mudanças mais profundas que terão de ser introduzidas na banca.

“Se queremos pôr termo a pagamentos excessivos num sector que tem vindo a ‘inchar’ é preciso reduzir o sector ou passar a aplicar impostos especiais sobre lucros antes de remunerações”.

Lord Turner dizia-se ainda “muito favorável” a que sejam consistentemente aumentados os rácios prudenciais na banca, acreditando que este será o melhor instrumento para eliminar excessos, quer de actividade quer de lucros, que a actual crise veio relevar assentarem muitas vezes em pés-de-barro.

As suas palavras foram recebidas com grande cepticismo por parte de vários banqueiros e o próprio Governo britânico manteve-se numa posição recuada – ao contrário do português.

MRA Alliance/JdN

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