Seis derrotas em sete para Merkel nas eleições regionais alemãs

Os sociais-democratas do centro-esquerda venceram a coligação conservadora de Angela Merkel nas eleições regionais em Berlim. Os resultados de ontem, a sexta derrota da chanceler alemã em sete possíveis – o único estado que a CDU conseguiu segurar este ano foi a Alta Saxónia, no leste do país, onde está coligada com o principal partido da oposição nacional, o SPD – deixam o governo de centro-direita sob pressão e com muitas vozes a pedir a antecipação das legislativas previstas para 2013.

De acordo com as sondagens à boca das urnas divulgadas pela televisão alemã ARD, o SPD alcançou 29,5% dos votos na capital do país, pouco menos que os 30,8% alcançados em 2006. A CDU ficou com 23,5% do eleitorado, mais dois pontos percentuais dos que foram obtidos na votação anterior, mas muito aquém dos 40% que o partido costumava alcançar em Berlim durante a década de 80 e 90. Já os Verdes conquistaram 18% dos eleitores na capital (um bom resultado em comparação com os 13,1% obtidos em 2006) e o partido da Esquerda (Linke) caiu de 13,4 para 11,5%.

O presidente da câmara de Berlim, Klaus Wowereit, consegue o seu terceiro mandato de cinco anos, com o apoio dos Verdes, como parceiros de coligação. Wowereit, que se tornou, em 2001, no primeiro líder abertamente gay de um estado alemão, é conhecido por ser uma figura popular com um carregado sotaque berlinense. Tem governado a capital associado ao Linke há dez anos e apesar do desgaste vai continuar por mais um mandato.

O elemento surpresa coube ao Partido Pirata – que fez a sua campanha em torno da reforma dos direitos de autor e da melhoria da privacidade na internet – e que surgido no nada obteve 8,5% dos votos. Fundado em 2006, o partido apostou numa comunicação irreverente, captando a atenção dos eleitores mais jovens. “Eles centram-se muito no liberalismo, na liberdade e na autodeterminação”, explicou Holger Liljeberg do Info Polling Institute, à Reuters.

Além da esperada derrota para o SPD, a CDU de Merkel teve ainda outra desilusão com os liberais do FDP, o seu parceiro na coligação a nível nacional, a não conseguir obter 5% dos votos, o mínimo para garantir representação no parlamento regional.

MRA Alliance/ionline

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