Rússia esvazia poder da Geórgia no Cáucaso

A Rússia saiu politicamente vitoriosa da Guerra dos Três Dias, na Geórgia, enviando uma inequívoca mensagem ao Ocidente para “esquecer” a possibilidade de a ex-república soviética continuar a controlar os enclaves da Ossétia do Sul e da Abkházia. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, não apenas negou à Geórgia quaisquer veleidades de conseguir reconquistar o poder que detinha no Cáucaso antes da guerra, como disse explicitamente que o presidente georgiano Mikahil Saakasshvilli nunca será um interlocutor de Moscovo nas negociações para apaziguar as tensões bilaterais. “As pessoas podem esquecer qualquer conversa sobre a integridade territorial da Geórgia porque, acredito eu, seria impossível convencer a Ossétia do Sul e a Abkházia a concordar com a lógica de que podem ser forçados a voltar para o Estado georgiano”, afirmou Lavrov a jornalistas ocidentais em Moscovo. Com a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo mediado pelo presidente em exercício da União Europeia, Nicolas Sarkozy, as tropas russas aproveitaram para aniquilar o que podiam das infra-estruturas e recursos militares georgianos e controlar posições estratégicas nas vias de comunicação terrestres, marítimas e aéreas. A generalidade dos analistas considera que a humilhação militar impedirá a Geórgia de, a médio prazo, voltar a ter capacidade para arriscar novas tensões na região. Entretanto, em Moscovo, o establishment político e os media estatais e próximos do Kremlin continuam a reagir com indignação ao que classificam de “hipocrisia ocidental”. “Esqueceram-se todos do Iraque?” argumentou Sergei Markedonov, um especialista em política regional, sedeado em Moscovo. MRA Dep. Data Mining

Leave a Reply