Rogoff diz que vivemos a “Segunda Grande Contracção”

Num artigo de opinião publicado hoje no Financial Times, o professor de Economia da Universidade de Harvard, Kenneth Rogoff, diz que depois de quatro anos em crise financeira, é cada vez mais claro que “o maior défice não é no crédito mas na credibilidade” e avança com o conceito de estarmos a viver a “Segunda Grande Depressão”

Isto porque, argumenta, “os mercados podem ajustar-se a uma quebra no crescimento mundial, mas não podem lidar com uma perda de confiança em espiral na liderança e com um sentimento crescente de que os políticos estão desligados da realidade”. E lança a questão: “O que é preciso fazer para nos afastarmos do precipício?”.

Para o ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) até agora o problema reside numa elevada dívida que tem aumentado a pressão para “acelerar a normalização do crescimento pós-crise”, que é geralmente muito lento. 

ogoff considera mesmo que “é melhor pensarmos que a economia global está a atravessar uma “Segunda Grande Contracção” (sendo a Grande Depressão a iniciada em 1929) envolvendo o mercado de crédito e o mercado imobiliário, e não apenas o crescimento e o desemprego”.

O economista vai mais longe ao considerar que a questão de as maiores economias do mundo enfrentarem um cenário de nova recessão “é quase irrelevante”, uma vez que “para todos os efeitos”, a maioria das economias europeias e a norte-americana nunca chegaram a sair totalmente da recessão.

Na opinião de Rogoff, as soluções financeiras e monetárias têm de ser reforçadas com reformas estruturais, envolvendo os “inustentáveis fundos de pensões e de saúde”. O professor de Harvard adianta que “se os responsáveis conseguissem, pelo menos, fazer o diagnóstico certo, seria um passo importante para a recuperação””, após “uma longa série de meias medidas e tropeções”.

Mas o economista deixa um sinal de esperança  ao considerar que “as opções estão a diminuir mas os líderes ainda não ficaram sem balas”. Em sua opinião esquemas de amortização da dívida, subidas temporárias da inflação e robustas reformas estruturais podem ajudar a resolver a crise.

Contudo, alerta Rodoff, “nesta conjuntura crítica”, os líderes devem dirigir-se aos problemas de uma “Grande Contracção e não apenas a uma grande mas convencional recessão”.

MRA Alliance/DE

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