Proposta de Sócrates pode salvar novo tratado europeu, diz a Lusa

José SócratesO compromisso que José Sócrates, presidente em exercício da UE, “ofereceu” aos gémeos Kaczynski, dirigentes da Polónia, segundo a agência Lusa, terá ultrapassado o principal obstáculo a um acordo histórico sobre o futuro “Tratado da UE”. O novo compromisso europeu, que deverá ser assinado na cimeira dos 27, em Lisboa (18-19 de Outubro), encontra-se num impasse, desde 2005, após a recusa dos franceses e holandeses em aceitar o texto constitucional proposto por Bruxelas. Nem a poderosa presidência alemã, que antecedeu a portuguesa, conseguiu o necessário consenso para ultrapassar os obstáculos políticos e diplomáticos.

Lech e Jaroslav KaczynskiJosé Sócrates, após as férias de Verão, resolveu ir à capital polaca, numa operação-relâmpago que surpreendeu a maioria dos observadores. Numa tarde reuniu-se com os gémeos Kaczynski – Lech, Presidente da República, e Jaroslav, primeiro-ministro. Depois dos encontros voltou surpreender os analistas ao mostrar-se confiante na aprovação do novo Tratado. As fontes diplomáticas e comunitárias citadas pela agência portuguesa, sustentam que a solução de compromisso que Sócrates apresentou à liderança polaca assentou na inclusão, no novo documento, da famigerada ‘Cláusula de Ioannina’, repescada de um antigo compromisso europeu firmado (1994) na cidade grega com o mesmo nome.

Angela MerkelA ‘repescagem’ da cláusula, que permite a suspensão de decisões da UE por uma minoria de Estados membros, era de há muito sugerida pelos gémeos polacos. Em período eleitoral no seu país, ambos querem satisfazer os desejos do povo votante, visceralmente favorável a uma Polónia forte que não se verga ao «diktat» dos mais fortes e ricos. No caso vertente, à historicamente “altiva” e “pesporrente” Alemanha. O papel da presidência portuguesa foi publicamente reconhecido por Varsóvia. O presidente polaco classificou de “encorajadora” a posição do actual presidente da UE.

Gordon BrownConfirmam-se,assim, as previsões dos analistas que sustentavam ser muito mais fácil a um país pequeno e periférico, como Portugal, ter êxito na manobras diplomáticas de bastidores do que a qualquer “peso pesado”. A geração de anticorpos é inimiga da eficácia diplomática. Todavia ainda falta uma semana. Se não fôr da Polónia, é sempre possível esperar uma supresa de última hora. Londres, desde os tempos de Margareth Thatcher, é exímia em tirar surpresas da mala…

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