Presidenciais: Cavaco Silva recandidata-se com autoelogio

Cavaco SilvaSete páginas, 25 minutos de discurso e um aviso, em jeito de recado e promessa: se for reeleito Presidente da República, Cavaco Silva exercerá uma “magistratura activa”, expressão que, ao longo da campanha eleitoral, poderá substituir a recorrente “magistratura de influência”.

Ao princípio da noite, na apresentação da sua recandidatura, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Cavaco aludiu apenas uma vez a esta “magistratura activa”. Fê-lo na sequência da enumeração das características que, em seu entender, devem ser apanágio dos chefes de Estado (conhecimento, experiência, rectidão, serenidade, realismo, bom senso): “Sendo certo que ao Presidente não cabe governar ou legislar, não deve, contudo, deixar de exercer uma magistratura activa que favoreça a modernização da sociedade e o crescimento da economia, a criação de emprego, melhores condições para os jovens, que favoreça o combate à precariedade do trabalho e à pobreza e a preservação da coesão nacional.”

Em  reacção ao anúncio da recandidatura do Presidente da República, o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza, criticou o “autoelogio absolutamente inqualificável” do candidato e ironicamente, questionou, “o que é feito do país com os conselhos de Cavaco Silva?”. Confrontado com o facto de Cavaco Silva ter anunciado uma campanha sem despesas, prescindindo de cartazes, o deputado bloquista afirmou que “são opções que ficam bem”, embora apontando que, nas últimas eleições presidenciais, a campanha do atual Chefe de Estado foi a que “mais gastou”.

O candidato presidencial Francisco Lopes entende que o anúncio da recandidatura feito por Cavaco Silva  não traz qualquer novidade e que representa tudo o que o país não necessita. “Cavaco Silva foi primeiro-ministro e é Presidente da crise, da injustiça social e do declínio do país. O candidato Cavaco Silva significa apenas a continuidade e agravamento dos problemas sociais”, acrescentou o candidato apoiado pelo PCP.

Por sua vez, o candidato Fernando Nobre considerou que Cavaco Silva evocou as mesmas razões para se recandidatar a Presidente da República que as usadas há cinco anos quando se candidatou ao cargo. “O povo português sabe, passados cinco anos, ao ponto a que chegámos e pergunto-me onde estaremos daqui a cinco anos”, acrescentou este candidato.

Quanto a  Defensor Moura considerou que o anúncio feito por Cavaco Silva não trouxe qualquer novidade e que existiu  uma “pompa exagerada para as novidades que podiam ser esperadas”. “Cavaco Silva voltou a repetir os seus propósitos, anunciando a afirmando a sua isenção e coerência. Sobre isso falaremos durante a campanha eleitoral”, afirmou este candidato.

“Não novidade na recandidatura”, afirmou Manuel Alegre antecipando-se ao anuncio feito hoje por Cavaco Silva no Centro Cultural de Belém. “No discurso também não” há novidade, acrescentou. “A principal novidade é que ele tem os mesmos apoios de há cinco anos, desta vez eu tenho mais”, frisou Alegre na inauguração da sede da sua candidatura no Funchal. Alegre sublinhou que Cavaco Silva “é o candidato do PSD e do CDS, apoiado não só pela direita política mais também pela direita económica”.

MRA Alliance/Agências

Leave a Reply