Portugueses mais pobres mas felizes

As famílias enfrentam cada vez mais dificuldades e, de acordo com um estudo ontem divulgado, existem mesmo 31 por cento de portugueses a viver no escalão imediatamente acima do limiar da pobreza. Apesar desta realidade, os portugueses consideram-se felizes. Mais de 70% dos inquiridos admitem viver satisfeitos, sendo a família e os amigos as justificações apontadas. O grau de felicidade nacional situa-se nos 6,6 pontos (numa escala de 0 a 10) – uma nota que é positiva, embora abaixo da média europeia (7,5).
A investigação realizada pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), de Lisboa, concluiu que começam a proliferar no nosso país as chamadas “famílias sanduíche”, compostas por membros trabalhadores, com rendimentos superiores ao limiar da pobreza, mas que têm muitas dificuldades em suportar todas as despesas.

Segundo o relatório, estas famílias vivem nos centros urbanos e estudaram mais do que os seus pais. Mesmo assim, 21% não têm capacidade financeira para reagir às despesas inesperadas, 12% não conseguem comprar todos os medicamentos de que necessitam e 30% têm muita dificuldade em pagar as contas correntes.

Abaixo do limite encontram-se já 20% dos portugueses, cujo nível de rendimentos é incapaz de satisfazer as suas necessidades, confirmando-se que os mais vulneráveis a este tipo de situação são os idosos, as famílias monoparentais e os menos instruídos.

O ISCTE revela, ainda, que 57% dos pobres ou quase pobres vivem com um orçamento familiar abaixo dos 900 euros, valor que surpreendeu os responsáveis pelo estudo que envolveu 1237 inquiridos.

MRA Alliance/ionline

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