Portugal: Rating só estabiliza com uma rápida negociação do resgate

Portugal viu ontem o seu ‘rating’ descer dois níveis. A Fitch decidiu manter o ‘outlook’ negativo. A decisão de uma nova revisão em baixa da notação nacional poderá ser tomada nos próximos três a seis meses, diz Douglas Renwick, responsável da agência de notação norte-americana, em entrevista ao Diário Económico. Um pedido de ajuda à UE e FMI pode ajudar a evitar um novo corte de ‘rating’.

O que pesou mais na vossa decisão: a demissão de Sócrates ou o chumbo do PEC IV?
Ambas, por isso tivemos de rever em baixa agora. A questão política levanta a dúvida de quem irá negociar um resgate ou de quem irá implementar as medidas de consolidação. A incerteza não só se concentra no que vai ser a consolidação no próximo ano, como também o impacto negativo que isto terá no sentimento dos mercados e dos investidores estrangeiros em relação a Portugal. O risco de crédito é cada vez maior.

O financiamento está em risco?
Perante esta deterioração será muito mais difícil ao Governo recuperar o acesso aos mercados a um preço razoável. Os níveis praticados até agora só são sustentáveis se for expectável uma descida do ‘rating’. Vai ser um desafio significativo financiar-se nos próximos meses. Se compararmos o montante de Bilhetes do Tesouro (BT) e Obrigações do Tesouro (OT) que vão vencer na primeira metade do ano com aquilo que foi angariado nos mercados, não é ainda suficiente. Dada a elevada incerteza e os riscos de consolidação, porque ainda não está implementada legislação, a necessidade de recorrer a um pacote de ajuda da UE e do FMI é o mais provável.

O pedido de ajuda vai acontecer nas próximas semanas?
Neste momento é muito incerto. Parece provável que nos próximos meses haverá um resgate. Mas do ponto de vista financeiro, Portugal precisa do dinheiro. Não dizemos que Portugal tem de recorrer à ajuda externa, mas é muito provável que o resgate aconteça.

MRA Alliance 

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