Portugal: Famílias consomem mais e cortam poupança

As despesas de consumo estão a subir a um ritmo mais elevado do que o rendimento disponível. Para “tapar” este desequilíbrio, as famílias estão a poupar menos. A tendência de redução da taxa de poupança começou no segundo trimestre e mantém-se. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE),  no terceiro trimestre deste ano, a poupança caíu para os 10,6%.

Este recuo é explicado pelo INE nas Contas Nacionais Trimestrais, ontem divulgadas, pelo facto de o crescimento das despesas de consumo final das famílias suplantarem o crescimento “mais moderado” do rendimento disponível dos particulares. Face ao conjunto de novas medidas de redução do défice que vão entrar em vigor a partir de Janeiro – congelamento de pensões, cortes salariais e nova subida do IVA – e ao seu impacto no rendimento disponível, será de esperar que a taxa de poupança se mantenha em queda.

Do lado das empresas, a publicação do INE dá conta de nova quebra no investimento, o que acontece há já oito trimestres consecutivos.

As Contas Nacionais Trimestrais revelam ainda que o défice das Administrações Públicas registou no final do terceiro trimestre uma ligeira melhoria (de 0,1 pontos percentuais) face aos três meses precedentes. O que significa que as necessidades de financiamento eram no final de Novembro equivalentes a 9,4% do Produto Interno Bruto.

Esta ligeira redução do défice resultou essencialmente da descida das despesas de capital que acabaram por compensar a diminuição da receita dos impostos sobre o rendimento (IRS e IRC) e património. No último trimestre do ano, as medidas de contenção já deverão contribuir com maior intensidade para a redução das necessidades de financiamento.

MRA Alliance/JN

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