Portugal: Exposição à dívida soberana é o maior risco da banca portuguesa, diz Fitch

A exposição da banca portuguesa à dívida soberana do País é significativa, estando compreendida entre 59% e 183% do “core capital”. O alerta é lançado pela agência de “rating” Fitch no seu terceiro relatório dedicado à análise dos testes de stress, cujos resultados foram divulgados na semana passada. Os quatro bancos portugueses submetidos aos testes de resistência – Grupo BES, BPI, BCP e CGD – passaram nas provas.

A Fitch salienta que todos os bancos poderão ser significativamente afectados por um potencial “haircut” de 25% sobre a dívida soberana apresentada nos balanços. Essa dívida tem, na sua grande maioria, maturidades de médio prazo. “Haircut”, recorde-se, é a perda de capital e/ou juros resultante da renegociação da dívida ou do incumprimento no pagamento dos juros ou reembolsos.

Segundo o relatório da agência norte-americana de rating, o rácio “Tier 1” resultante cairia para 3,7% no caso do BPI, para 4,6% na CGD e para 4,7% no Millennium bcp. “Isto sublinha a vulnerabilidade do capital aos choques soberanos e a necessidade de um reforço adicional dos seus níveis de capital devido aos crescentes receios em torno da dívida soberana”, refere o documento.

A agência espera que os bancos nacionais reforcem os seus rácios de capital. , Os bancos deverão ter um “Core Tier 1” de 9% no final de 2011 e de 10% no final de 2012. “Se os bancos não conseguirem [estes níveis], terão de recorrer ao fundo de recapitalização de 12 mil milhões de euros providenciado pela UE e pelo FMI no âmbito do pacote de resgate a Portugal no valor de 78 mil milhões de euros”, diz a Fitch .

A agência norte-americana conclui dizendo que os “ratings” para a dívida de longo prazo dos bancos portugueses continuam sob vigilância negativa.

MRA Alliance/Agências

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