Políticos, banqueiros e analistas desvalorizam carácter sistémico da crise financeira global (Revista de imprensa)

BPI - Gestão de ActivosFundo BPI investiu 750 milhões em banco à beira da falência (DN)

O fundo que o BPI foi forçado a liquidar na semana passada investiu 748 milhões de euros em obrigações da Countrywide, informa o Diário de Notícias na edição de hoje. Countrywide é o maior banco de crédito imobiliário dos EUA e um dos que mais sofreu os efeitos do colapso financeiro provocado pela crise de hipotecas de alto risco (subprime). A liquidação do BPI Renda Trimestral, iniciada no passado dia 25, termina hoje.
Numa análise ao relatório do primeiro semestre do BPI Renda Trimestral, observa-se que 748,2 milhões de euros da carteira deste fundo estão investidos em títulos de dívida da Countrywide Financial Corporation, com maturidade até 2010. Este era mesmo o maior investimento deste fundo do BPI, numa carteira avaliada num total de 96,1 mil milhões de euros. Em Agosto, as acções da Countrywide afundaram-se cerca de 75% nas bolsas americanas perante o espectro de falência.
Em consequência, refere o DN, os investidores ficaram impossibilitados de vender os pacotes entretanto adquiridos.

CitiCitibank: Balanço com 6 mil milhões de perdas (FT)

Chuck Prince, CEO do Citigroup, está a sofrer pressões para se demitir após o banco americano ter anunciado ontem a contabilização de prejuízos e novos passivos no valor de 6 000 milhões de dólares (4 231 milhões de euros/mm – bilhões/bi) na sequência da turbulência nos mercados de crédito, no terceiro trimestre, noticia hoje o Financial Times.A contabilização de perdas nos activos do banco, no valor de 1.4 mm/bi de dólares seguiu-se a controversas declarações prestadas por Prince ao diário económico britânico, em Julho passado. O presidente do conselho de administração do banco controlado pela família Rockefeller, afirmou que o Citi “ainda dança” nos mercados de crédito. Na altura já era visível a contracção do apetite dos investidores para o risco. Este indicador prenunciava a eclosão da bolha imobiliária e a provável evaporação da liquidez dos mercados bancários.

Gigantes da conservadora banca suíça abalados pelo “subprime” (UOL)

Os dois maiores bancos suíços, o UBS e o Credit Suisse, admitiram ontem terem sido afectados pela crise dos créditos hipotecários de alto risco nos Estados Unidos, os chamados “subprimes”, e comunicaram pesadas perdas nos resultados do terceiro trimestre, noticiou o jornal electrónico brasileiro.

UBSO UBS, maior banco do país e número dez mundial, anunciou uma desvalorização de activos de 4 mil milhões/mm (bilhões/bi) de francos suíços (2,4 mm/bi de euros) através da sua filial norte-americana FIRC. As perdas do banco de investimentos resultaram de prejuízos em “títulos investidos no mercado” subprime precisou o UBS. O impacto dos maus resultados da FIRC resultará “provavelmente numa perda bruta de entre 600 milhões e 800 milhões de francos suíços” no terceiro trimestre. Depois deste golpe, o banco suíço decidiu demitir 1.500 pessoas de seu banco de investimentos.

Credit SuisseO Credit Suisse, segundo banco do país e número 12 da Europa, também anunciou ontem, em comunicado, que as suas actividades de banco de investimentos e de gestão de activos foram vítimas “dos recentes acontecimentos nos mercados”.
“O Credit Suisse – indicou porém o banco – não possui nenhuma indicação de que o lucro líquido das atividades no terceiro trimestre se afastará da margem dos 20% [+/- 1,3 bilhão de francos suíços].”

Embora o mercado tenha reagido com aparente tranquilidade às notícias e alguns analistas acreditem que os bancos atingidos tenham capacidade suficiente para aguentar os embates, Javier Lodeiro, analista do Sal. Oppenheim Bank, admitiu que as más notícias podem prenunciar uma crise mais grave no sector bancário europeu.

EuronextEuronext Lisbon/Abertura 2007-10-02

PSI-20 sobe quase 2% com família Sonae em destaque (DE)

A praça nacional encontra-se em forte alta, com 10 títulos do índice de referência nacional a registarem valorizações superiores a 2%, graças às estimativas de que o pior da crise do ‘subprime’ já terá passado e que os próximos trimestres irão mostrar uma melhoria da actividade económica. A registarem os maiores ganhos encontram-se os títulos das empresas da família Sonae.

NOTÍCIAS DA SEMANA PASSADA:

Artur Santos SilvaFundador BPI disse que crise terá um”impacto limitado” na Europa (DE)

“Há alguma tensão nos mercados financeiros, mas não prevejo impactos muito importantes sobre a economia e o sistema financeiro, quer na Europa quer nas economias emergentes que são também hoje grande tractores da economia mundial”, disse Artur Santos Silva, presidente da Cotec – Associação Empresarial para a Inovação.

Santos Silva, classificou o impacto da crise financeira como “muito modesto” para a União Europeia, admitindo um desvio nas previsões de crescimento de 0,1 a 0,2%”.

(…) “Que há uma avaliação de risco mais exigente, isso penso que sim,” afirmou.

Teixeira dos Santos - Ministro das FinançasTeixeira dos Santos diz que Portugal tem exposição reduzida à crise (DE)

O ministro das Finanças declarou hoje que o grau de exposição do mercado financeiro português à crise que se vive actualmente no mercado de crédito hipotecário de risco nos Estados Unidos é “reduzida”, uma vez que no nosso país existe uma melhor gestão da exposição ao risco.

Lula da SilvaBrasil “não está nem um pouco preocupado” com crise, disse Lula (UOL)

O presidente brasileiro Lula da Silva classificou de “auspicioso” o actual momento económico brasileiro, e disse que o país não está preocupado com a crise “subprime” nos Estados Unidos. “A economia brasileira vive um momento auspicioso”, disse. “Antes de nós chegarmos o Brasil devia para o FMI, para o Clube de Paris, não tinha crédito para as suas exportações. E o que temos hoje? Hoje nós temos US$ 162 bilhões de reservas, tem uma crise nos Estados Unidos e não estamos nem um pouco preocupados.”

OCDE‘Subprime’ pode afectar crescimento da economia britânica diz OCDE (DE)

Numa nota sobre a economia britânica, a OCDE admitiu que “as previsões de crescimento da economia e da inflação tornaram-se agora mais incertas e existe um risco de que o crescimento será mais débil no futuro, o que implica a necessidade de redução das taxas de juro”. Antes da crise do ‘subprime’ nos EUA, as estimativas da OCDE apontavam para um crescimento de 2,7% para o Reino Unidos em 2007 e de 2,5% em 2008.

António Perez MeteloOs prémios de risco vão subir com esta crise (DN, artigo de opinião A. P. Metelo)

Uma consulta pelos operadores nos mercados financeiros permite concluir que existe um amplo consenso sobre aquilo que se sabe e se espera da turbulência originada na crise do subprime norte-americano a 9 de Agosto passado. As regras de actuação para os detentores de poupanças decorrem, como sempre, do bom senso de cada um, tendo em conta as tendências previsíveis para os próximos meses.

Nota: Entre ontem e esta manhã registámos problemas no acesso à Internet, motivo pelo qual fomos impedidos de prosseguir a pesquisa e elaboração da nossa coluna semanal “Sistema Financeiro Global – Observatório da Crise”. Devido a compromissos profissionais previamente agendados só nos será possível disponibilizá-la amanhã. Pelo sucedido, apresentamos a nossas desculpas.

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