Parlamento: Esquerda impede Direita de adiar TGV por três anos

A Assembleia da República chumbou hoje a proposta de adiamento por um período mínimo de três anos do projecto de construção da linha ferroviária de alta velocidade (TGV) Lisboa-Madrid, proposta pelo PSD. A proposta recebeu os votos favoráveis do PSD e CDS e os votos contra do PCP, Bloco de Esquerda e “Os Verdes”.

No projecto de resolução, o PSD dizia que a linha Lisboa-Madrid era “um investimento que contribuirá para o aumento da dívida externa do país” e defendia que o Governo devia apostar no “investimento público de menor dimensão”.Durante a sessão, esteve também em apreciação, por proposta do CDS-PP, o decreto-lei que aprovava as bases da concessão do projecto, construção, financiamento, manutenção e disponibilização do troço Poceirão-Caia, que fará parte da futura linha de alta velocidade Lisboa-Madrid, com abertura prevista para 2013.

O CDS-PP dizia também ser “dificilmente explicável” porque é que o Governo decidiu avançar com este troço, depois de ter suspendido as ligações Lisboa-Porto e Porto-Vigo “por causa do respectivo impacto nas finanças públicas e no endividamento” e afirma que “não estão clarificados os custos efetivos totais desta concessão, nem as necessidades de financiamento global”.

Pedro Mota Soares, líder parlamentar do CDS-PP, acusou o BE de «salvar o Governo», ao aprovar seis parcerias público-privadas (PPP) previstas no contrato de alta velocidade ferroviária. «Caiu neste debate a máscara ao Bloco de Esquerda e ficou à vista a enorme hipocrisia política com que o Bloco de Esquerda vem a este debate», disse Mota Soares, no debate de discussão da proposta do PSD para suspender por três anos a construção da ligação de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. «Qual é o real propósito do Bloco de Esquerda em salvar seis parcerias público privadas que há um ano diabolizava, e, mais importante que isso, em salvar os investidores das PPP, mas, sobretudo, em salvar o Governo que os senhores dizem que estão a combater», questionou.

Ainda durante a mesma sessão parlamentar, PS, PSD e CDS-PP votaram contra o projecto de resolução do BE, “pela defesa da modernização da rede ferroviária nacional, incluindo a construção da linha de alta velocidade Lisboa-Madrid”.

O centro-direita parlamentar também inviabilizou a proposta do “reforço do investimento público” no transporte ferroviário, avançada pelo PCP, “com a introdução da alta velocidade com ligação prioritária para passageiros e mercadorias entre Lisboa e Madrid”.

Os projectos do PCP e do BE propunham-se substituir o “modelo de concessão a privados” pela gestão pública.

MRA Alliance/Agências

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