Ouro bate máximos históricos e continua a atrair investidores

Desde a crise financeira global, inic iada em meados de 2007, o ouro já escalou, por ano, 29%, e ontem voltou a bater um novo máximo histórico, ao ser negociado em Londres nos 1.894 dólares.

Há duas semanas, a negociação de contratos de futuros sobre a onça de ouro contabilizou um volume superior a 1,3 biliões de dólares, o valor mais elevado de sempre. Isto significa que alguns dos recordes alcançados foram consolidados com posições fortes dos investidores, colocando assim um entrave a futuras correcções.

“Ao investir em ouro, espera-se apenas que alguém, dentro de um ou cinco anos, esteja disposto a pagar mais do que nós pagámos no passado por algo que não faz nada. Estamos a apostar no medo que as pessoas vão ter dentro de alguns anos”, explicou Warren Buffett aos accionistas da sua Berkshire Hathaway, em Abril, no decorrer do aclamado “Woodstock do Capitalismo”, em Omaha, EUA.

O ouro é assim utilizado como um activo de refúgio contra crises. E a verdade é que a incerteza em redor do rumo da economia mundial aliada a níveis de baixas taxas de juro continua a catalogar o metal precioso como um investimento cada vez mais brilhante e atractivo para os cofres dos investidores.

Luís Correia Tavares, analista da WorldSpreads, lembra que “o ouro é um activo altista e continuará a sê-lo”. O especialista refere mesmo que “caso o ouro corrija para os 945 dólares não perde a sua tendência altista”.

Porém, são cada vez mais as vozes a chamarem a atenção para a existência de uma bolha no mercado aurífero. O multimilionário George Soros é um desses casos: durante anos teve no maior ETF aurífero – o SPDR Gold Trust – uma das suas maiores posições do seu lendário ‘hedge fund’ “Quantum”, mas, em Setembro do ano passado revelou à Reuters que “o ouro é a última bolha”. E desde então, tem vindo a reduzir a exposição ao metal precioso.

A pressionar a cotação do ouro no futuro próximo poderão estar duas variáveis: a subida da taxa de juro real nos EUA e o anúncio do terceiro programa de ‘quantitive easing’ da Reserva Federal norte-americana (Fed), que poderá ser feito na sexta-feira num encontro entre os líderes dos principais bancos centrais do mundo em Jackson Hole, nos EUA.

Se a primeira medida corrói o valor do ouro retirando assim o seu interesse face a outros activos como depósitos, o segundo episódio significará um novo impulso para o mercado accionistas e uma nova reviravolta nos mercados. Nesse sentido, os investidores que estejam de olho no investimento do metal dourado devem, pelo menos, esperar até ao resto da semana para tomarem a sua decisão de investimento.

MRA Alliance/DE

Leave a Reply