Os países do Golfo estudam a revalorização das suas moedas, após a cimeira da OPEP

Petrodólar moribundo. Países do Golfo tentam o milagre…Os países do Golfo Pérsico, liderados pela Arábia Saudita e pelos Emiratos Árabes Unidos, poderão revalorizar as suas divisas, embora mantendo-as ainda ligadas ao dólar, revelou uma fonte anónima familiar com a política monetária saudita, citada pela agência Bloomberg. A apreciação, cujo valor foi mantido confidencial, poderá concretizar-se nas próximas quatro semanas, após os contactos mantidos pelo líderes da OPEP, reunidos no final desta semana, numa cimeira de chefes estado e de governo dos 13 países membros do cartel petrolífero.

A queda do dólar e apreciação do euro, cujos países são os maiores exportadores para os países da região, têm causado pressões inflacionistas difíceis de controlar sem o recurso a políticas monetárias adequadas. As taxas de inflação nos últimos meses, ameaçam a estabilidade monetária na região: Arábia Saudita (+4,9%), EAU (+ 9,3%), Qatar (+14,8%). Jens Nordvig, economista sénior responsável pelos mercados globais da Goldman Sachs Group, em Nova Iorque, em declarações à Bloomberg concordou que “faz sentido que eles [países do Golfo] tomem essa atitude. (…) Face ao crescimento das pressões inflacionistas, têm muito boas razões para decidirem a revalorização das suas divisas.”

Os chefes de estado dos seis países membros do Conselho de cooperação do Golfo reúnem-se, nos próximos dias 3-4 de Dezembro, no Qatar, no âmbito da reunião anual da organização, para abordarem questões relacionadas com a segurança regional e políticas monetárias. “É pouco provável que eles adoptem um sistema flexível”, sublinhou Nordvig que considerou um ajustamento da ordem dos “5-10% como algo que teria algum impacto sem ser excessivamente dramático”.

No dia 9/11, o dólar atingiu a mais baixa cotação da história face ao euro (USD 1.4752). Este valor representou uma queda de 10% desde o início do ano. Por outro lado, nos últimos 10 meses e meio desvalorizou-se crescentemente face a 15 das 16 divisas monitorizadas pela Bloomberg.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Príncipe Saud Al-Faisal opôs-se ao desejo do Irão e da Venezuela de ser incluída uma referência à depreciação do dólar no comunicado final da cimeira, argumentando não querer causar o “colapso” do dólar.

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