OMC: Sarkozy lidera grupo de pressão europeu contra emergentes

As negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) entraram numa crítica desde ontem com nove países europeus, liderados pela França, a criarem um bloco para exigir maiores concessões aos países emergentes. O chefe de Estado francês e presidente em exercício da União Europeia, Nicolas Sarkozy, surpreendeu os países mais pobres com o recém-criado – Clube dos VoluntáriosFrança, Irlanda, Polónia, Hungria, Grécia, Portugal, Lituânia, Chipre e Itália – para pressionar o comissário europeu do Comércio, o inglês Peter Mandelson, a ser mais radical na defesa dos interesses dos agricultores da UE, durante as tensas negociações da Ronda de Doha, iniciadas há uma semana, em Genebra (Suíça). O grupo quer maior acesso aos mercados dos países em vias de desenvolvimento para a exportação de bens industriais, agrícolas e serviços. O nascimento do Clube dos Voluntários foi a resposta europeia ao endurecimento das negociações por parte da China e da Índia. Pequim subiu a fasquia dando apoio aos esforços da Índia que, nos últimos dias, reuniu quase uma centena de países favoráveis à imposição de novas barreiras agrícolas no pacote negocial em discussão. Por este motivo, após escassos dias de iminente acordo, tudo voltou ontem à estaca zero. A delegada dos Estados Unidos, Susan Schwab, acossada pela recessão económica no seu país, pediu aos emergentes para não inviabilizarem um acordo susceptível de salvar o trabalho iniciado em 2001, na capital do Qatar. A China e a Índia, pela primeira vez em clara aliança de interesses, assumem-se como as novas locomotivas da economia global e fazem valer o seu peso (1/3 de consumidores do planeta) para obter um acordo mais consentâneo com a sua dimensão e interesses económicos e geopolíticos. Sarkozy é um feroz defensor da PAC (Política Agrícola Comum) que, desde há décadas, garante multimilionários subsídos aos agricultores franceses e europeus para produzirem bens menos competivos e mais caros, fechando o mercado europeu aos países mais pobres com uma vasta rede de barreira aduaneiras, fiscais e técnicas. Em Genebra reina o cepticismo e a descrença, com o Brasil a tentar uma solução de compromisso entre os países ricos e pobres. Qualquer decisão carece da aprovação dos 153 países membros da OMC. Analogamente, qualquer posição assumida pela UE tem de ser ratificada pelos seus 27 Estados-membros. MRA/Agências

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