O sindromático efeito ‘subprime’ pode fazer fracassar a fusão BPI/BCP e deprimir sector financeiro

Operações na praça lisboetaDos vinte títulos que compõem o PSI-20, esta manhã, todos descem de cotação. O volume total de negócios ascendia a magros 20 milhões de euros. A tendência é importada dos mercados internacionais. Os investidores revelam novos receios relacionados com o impacto da sídrome «subprime» norte-americana, que muito provavelmente vai continuar a afectar as contas das instituições financeiras. Às 8h11 locais, o PSI-20 recuava 1,16% para os 12 716,11 pontos, com as acções nacionais a acompanharem a tendência mundial. O banco de investimentos Morgan Stanley (EUA) anunciou ontem perdas derivadas do «subprime» – USD 3,7 mil mihões/bilhões (mm/bi) de dólares. O influente e bem informado Deutsche Bank estimou que, em 2007, os bancos americanos vão “no mínimo” encaixar prejuízos de USD 50 mil milhões/bilhões (mm/bi). Os investidores estão desconfiados, receosos e, muitos deles, num indisfarçável pânico. “Agora, já é mais claro que o pior da crise ainda está para vir”, disse um analista.

Tal como ontem nas principais praças globais, a bolsa doméstica, uma mera gota neste maremoto financeiro intercontinental, o sector financeiro é o mais vulnerável e sensível às más notícias e às previsões: BES (- 2,22%, €15,26); BPI (- 1,94%, € 5,55), BCP (-0,95%, € 3,13). Os mercados de capitais dependem da confiança, o seu principal activo. As turbulências sofridas em Angola pelo BPI, as vulnerabilidades escancaradas durante meses pela crise interna e de governança do BCP, podem fazer fracassar as intenções sobre a fusão BCI/BCP, anunciadas na semana passada. Segundo a edição de hoje do Diário Económico esse será o sentimento do accionista de referência do BPI – o banco brasileiro Itaú. (pvc)

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