O que aconteceu em Portugal foi uma “tragédia”, diz OCDE

Angel Gurria, SG da OCDE“É uma tragédia que isto [chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento e consequente demissão do Governo] tenha acontecido, porque o Governo de Portugal estava a fazer o que tinha que ser feito”, disse Angel Gurria, secretário-geral da OCDE, durante uma declaração em Washington.

Para Gurria, Portugal vai agora enfrentar “semanas muito difíceis” até às eleições. A crise política, segundo o responsável da OCDE, aumentou as hipóteses do País necessitar de recorrer à ajuda externa. Questionado se a crise política e económica em Portugal vai afectar outros países, Gurria respondeu apenas: “Vai aumentar a pressão sobre todos”.

Esta manhã, a OCDE admitiu que, com a demissão de José Sócrates, é mais difícil Portugal escapar à ajuda externa. “Se vão ser disponibilizados fundos para facilitar o ajustamento da economia portuguesa, a questão é quem vai fazer a negociação se nem há um Governo?”, interroga-se William White, presidente do “Economic and Development Review Committee”, da OCDE, que se mostrou desapontado com a resignação do líder do Governo.

White diz que a dificuldade de cumprir o pagamento da dívida “não é um problema de liquidez a curto prazo” e os participantes do mercado já o perceberam. Por isso, defende que o pedido de ajuda por parte de Portugal à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional é “um passo bem-vindo”. No entanto, White recusa-se a falar de resgate, porque diz que essa não é a palavra correcta para a intervenção, e sim um grande empréstimo.

MRA Alliance/JdN 

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