Nomes sonantes do Partido Socialista arguidos em processo de corrupção

Armando Vara é um dos 12 arguidos da operação «Face Oculta» que foi levada a cabo ontem pela Polícia Judiciária de Aveiro. O actual vice-presidente do banco Millenium BCP foi apanhado em escutas telefónicas a exigir dinheiro em troca de favores. Para além do banqueiro, também José Penedos, presidente da REN e o filho, Paulo Penedos, foram constituídos arguidos por relações alegadamente suspeitas com o empresário Manuel Godinho.

Armando Vara em conversas telefónicas com o empresário de Ovar pediu-lhe pelo menos dez mil euros em troca de contactos feitos por si. O ex-governante socialista é apontado nos mandatos como uma pessoa influente nas empresas do Estado. Em causa estão, alegadamente, negócios de resíduos e adjudicação de obras fundamentais ao empresário de Ovar. Armando Vara é actualmente vice-presidente do Millennium BCP, cargo que antes ocupava na Caixa Geral de Depósitos. Fonte oficial do banco diz que o Millenium BCP não comenta. Vara está incontactável. Recorde-se que Vara exerceu vários cargos dirigentes no Partido Socialista, foi ministro de António Guterres e presidente da Fundação para a Prevenção e Segurança.

No rol de arguidos da operação «Face Oculta» estão também José Penedos, ex-secretário de Estado socialista e actual presidente da REN, e o filho Paulo Penedos, militante do PS e advogado de Manuel Godinho, até agora o único detido na operação face oculta,

Sobre Paulo Penedos recaem suspeitas de ter recebido cerca de 240 mil euros por negócios que intermediou. Negócios que alegadamente foram conseguidos com a ajuda do pai. José Penedos terá feito com que as empresas de Godinho ganhassem contratos com a REN.

O empresário Manuel Godinho foi detido no âmbito da operação onde foram efectuadas cerca de 30 buscas domiciliárias e a postos de trabalho em Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Lisboa, Oeiras, Sines, Alcochete, Faro, Ponte de Sôr e Viseu.

Manuel Godinho será ouvido amanhã no âmbito do primeiro interrogatório judicial a realizar pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Aveiro.

Segundo a PJ, a “investigação em curso tem como objecto a actividade de um grupo empresarial, da zona de Aveiro, que, através de um esquema organizado, terá sido beneficiado na adjudicação de concursos e consultas públicas, na área de recolha e gestão de resíduos industriais”.

A operação foi desencadeada pela PJ, através do Departamento de Investigação Criminal de Aveiro, em “perfeita articulação” com o Ministério Público no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Baixo Vouga.

 MRA Alliance/Agências

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