Macroecomia e estabilidade cambial na África lusófona

Os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) que têm as suas moedas indexadas a divisas têm mercados cambiais mais estáveis e melhor relação de risco-retorno para investidores e Moçambique, com uma flutuação gerida, consegue resultados aproximados. A conclusão consta do estudo “Pressão nos Mercados Cambiais dos Países Africanos Lusófonos”, recentemente apresentada pelos investigadores universitários portugueses, entre os quais Braga de Macedo, ex-ministro das Finanças de Portugal. A análise econométrica identifica Moçambique como a “excepção à regra” de que a indexação a uma divisa – o euro, no caso de Cabo Verde e Guiné-Bissau – se traduz em maior estabilidade dos mercados cambiais e maior atractividade para os investidores. A análise permite concluir que “a relação risco-retorno é muito mais favorável para os investidores quando existem indexações cambiais, dado que o aumento de volatilidade é menor para o mesmo nível de retorno”.

Segundo as últimas projecções do FMI, o metical moçambicano tem vindo também a apreciar-se, cerca de um terço relativamente ao ano base de 2000, enquanto Cabo Verde, Guiné e São Tomé registam uma situação de relativa estabilidade. Muito acima da média dos países produtores de petróleo, Angola apresenta das maiores valorizações cambiais reais no continente africano, tendo mais do que duplicado o valor do kwanza desde o ano base. Angola e São Tomé e Príncipe têm flutuações geridas sem trajectória de taxa de câmbio pré-determinada; Moçambique também, mas de acordo com políticas do FMI. O pequeno arquipélago há muito que hesita relativamente ao futuro da sua moeda, a dobra, colocando-se como cenários uma indexação ao euro, ao dólar, ou ao franco CFA. Cabo Verde e Guiné-Bissau têm ambos as suas moedas indexadas ao euro, com limitações no caso deste país, membro da União Económica e Monetária da África Ocidental. “A nossa principal conclusão é que os países PALOP com indexações cambiais claramente têm uma volatilidade menor quando comparados com aqueles que têm fluxos geridos”, sublinham os investigadores. MRA/Agências

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