Karadzic protegido pela CIA até 2000, diz jornal sérvio

Radovan Karadzic foi protegido pelos EUA até 2000, ano em que a CIA descobriu, através de escutas telefónicas, que o líder paramilitar bósnio-sérvio rompera um acordo secreto com os americanos, noticiou ontem o jornal BLIC (Belgrado) citado pela agência France Press (AFP). O periódico sérvio, citando uma fonte dos serviços secretos dos EUA, informa que Karadzic beneficiava de imunidade desde que não desse nas vistas nem assumisse protagonismos políticos. “Karadzic, indiciado por genocício e crimes de guerra, esteve sob protecção dos EUA até 2000, quando a CIA interceptou um telefonema que provava o seu envolvimento pessoal em reuniões do seu antigo partido político”, escreve o jornal. Esta tese foi defendida parcialmente, esta semana, pelo próprio Karadzic perante o Tribunal Criminal Internacional de Haia para a antiga Jugoslávia (ICTY, em inglês), na apresentação do seu primeiro depoimento escrito. O líder sérvio disse aos juízes que Richard Holbrooke, o negociador do processo de paz na Bósnia em representação dos EUA, lhe prometeu que não seria julgado se abandonasse a política. Karadzic foi preso no mês passado, em Belgrado, e entregue ao ICTY, após ter andado a monte, durante mais de uma década, na sequência das suspeitas de actos de genocídio cometidos durante o conflito na Bósnia (1992-1995). Holbrooke negou as denúncias. Contrariamente, a fonte citada pelo BLIC afirmou: “Não tenho a certeza da existência de um documento escrito que o confirme, mas HolBrooke admitiu que foram dadas garantias verbais a Karadzic pelas mais altas instâncias norte-americanas”. O informador indicou que a CIA, com a anuência dos serviços secretos ingleses e franceses, manteve Karadzic sob “protecção informal”. Após terem descoberto que o antigo líder paramilitar continuava a dirigir o Partido Social-Democrata Sérvio, “os americanos e a CIA retiraram-lhe a protecção de que gozava”, acrescentou a fonte. A Rádio Belgrado emitiu recentemente uma entrevista com o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia, Aleksa Buha , na qual afirmou ter sido testemunha do acordo Holbrooke-Karadzic. “Holbrooke prometeu-me empenhadamente que o tribunal de Haia não incomodaria Karadzic se ele abandonasse a política para sempre”, disse Buha. Alegadamente a promessa terá sido feita “na noite de 18 para 19 de Julho de 1996” , durante uma reunião em que participou o presidente da Jugoslávia Slobodan Milosevic e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Milan Milutinovic, bem como o antigo funcionário bósnio-sérvio Momcilo Krajisnik, precisou Buha. MRA/AFP

Leave a Reply