Juros das obrigações gregas ultrapassam 55%

Os juros das obrigações gregas e o preço de um seguro contra o eventual incumprimento de Atenas sobem hoje até novos máximos, depois de o gabinete de estatísticas grego ter revisto em alta a quebra da economia grega de 6,9 para 7,3% nos 12 meses terminados no segundo trimestre deste ano, depois da contracção de 8,1% registada no primeiro trimestre.

“É a combinação do facto de a Grécia continuar a desapontar e provavelmente uma consciência crescente entre os investidores de que estão a deitar fora dinheiro”, comentou Gary Jenkins, especialista do Evolution Securities, à Bloomberg. “Estão finalmente a ter noção de que não vão receber de volta este dinheiro”, acrescentou.

É neste cenário que os juros das obrigações gregas sobem em todos os prazos, com a ‘yield’ a 2 anos a subir mais de 10 pontos para cima dos 55%, enquanto o juro a 3 anos dispara 28 pontos até muito perto dos 41%.

No mesmo sentido seguia o juro das obrigações a 12 meses: agravava-se em 178 pontos para 95,17%. São novos máximos desde a criação do euro, pelo menos.

No universo dos ‘credit-default swaps’ (CDS) sobre obrigações do Tesouro, que são uma espécie de seguro contra o eventual incumprimento de um Estado ou empresa, os CDS gregos eram os que registavam a subida mais acentuada, com um avanço de 105 pontos para 2.721,36 pontos. Quer isto dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública grega os investidores têm de pagar um seguro anual de mais de 2.700 mil euros.

Durante a sessão, os CDS gregos atingiram os 3.045 pontos, com uma subida de 240 pontos, o que corresponde a um novo máximo. De acordo com cálculos da CMA Datavision, este valor significa que existe 91% de hipóteses de a Grécia entrar em bancarrota, ou seja, não conseguir cumprir com as suas obrigações junto dos seus credores.

MRA Alliance/DE

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