Juro da dívida portuguesa a 5 anos chega aos 11% e bate nível histórico

No dia em que Portugal foi aos mercados de dívida pela primeira vez desde que pediu ajuda internacional, o juro da dívida a 5 anos atingiu os 11%, um novo máximo da era do euro e cerca de três vezes acima do registado há um ano.

Ao mesmo tempo, também o ‘spread’, que é o prémio que os investidores exigem para comprar títulos de dívida pública portuguesa a 10 anos em vez das bund alemãs, negociou hoje nos 599,27 pontos, um novo recorde.

Já o juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos subia até aos 9,29%. Nas maturidades mais curtas, a tendência também é de avanços, com a ‘yield’ dos títulos de dívida a 2 anos a chegar aos 10,45%, um novo máximo.

De resto, os juros das obrigações com maturidades entre os dois e os sete anos mantêm-se acima dos 10%. Nos prazos mais longos, a ‘yield’ das OT a 8 anos segue nos 9,83% e também na dívida a nove, 10 e 15 anos, os juros seguem acima dos 9%.

Olhando para o monitor da Bloomberg que acompanha a evolução do preço dos ‘credit-default swaps’ (CDS) sobre Obrigações do Tesouro a 5 anos de 57 países, verifica-se que o preço deste instrumento para proteger os investidores contra um eventual ‘default’ de Portugal registava a segunda subida mais expressiva (+26 pontos) até aos 635,50 pontos. Significa isto que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública portuguesa, os investidores têm de pagar um seguro anual de 635,5 mil euros para se protegerem de um eventual incumprimento de Portugal junto dos credores.

Com uma subida mais acentuada, só mesmo os CDS gregos, que cotavam nos 1.372 pontos, com um avanço de 41 pontos. A maioria dos 55 economistas consultados pela Reuters esta semana antecipa que a Grécia terá mesmo de reestruturar a dívida. E, de facto, os indicadores de risco para a dívida grega e irlandesa também se agravavam de forma acentuada.

Esta manhã, Portugal conseguiu colocar no mercado mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 3 e a 6 meses. Os juros subiram nas duas maturidades. A marcar a agenda continuam as negociações entre a ‘troika’ e os responsáveis portugueses sobre o pacote de resgate a Portugal.

MRA Alliance/DE

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