Japão: Explosão em central nuclear reacende pânico após sismos e tsunami

Explosão na central nuclear japonesa de Fukushima-DaiichiUma explosão na central nuclear de Fukushima-Daiichi, situada a 250 quilómetros a nordeste de Tóquio, veio agravar este sábado a angústia vivida há mais de 24 horas no Japão. Numa altura em que as autoridades ainda se debatem com a destruição causada pelo sismo de magnitude 8.9 na escala de Richter e pelo consequente tsunami, crescem os receios de um desastre ainda mais devastador.

O último balanço oficial das autoridades japonesas aponta para mais de 700 vítimas mortais confirmadas. Um número que deve aumentar nas próximas horas. No nordeste do país, a administração de Miyagi fez saber que há pelo menos dez mil pessoas dadas como desaparecidas na localidade portuária de Minamisanriku. Este sábado, cerca das 14h00 de Lisboa, ocorreu um novo sismo de magnitude 6.0 em Fukushima. O Governo de Naoto Kan já se referiu ao sismo de magnitude 8.9 registado na sexta-feira como “o mais grave desde a era Meiji [1868-1912]”. O próprio primeiro-ministro fala de “um desastre nacional sem precedentes”.

Imagens difundidas pela estação televisiva japonesa NHK mostraram o colapso da estrutura externa de um dos edifícios do complexo nuclear de Daiichi e uma coluna de fumo branco a elevar-se no horizonte. Pelo menos quatro trabalhadores ficaram feridos, segundo a companhia Tokyo Electric Power (Tepco), que assegura as operações na central.

Pouco depois da explosão, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, declarou o estado de emergência nas centrais de Daiichi e Daini, denominadas como Fukushima 1 e 2. Foi também alargado o raio de evacuação de localidades adjacentes, de dez para 20 quilómetros. A Agência Japonesa de Segurança Nuclear e Industrial considera pouco provável que a estrutura de revestimento do reator tenha sofrido danos. Ainda assim, não excluiu a possibilidade de um fenómeno de fusão. Isto porque foi detetado césio (metal alcalino) radioativo nas medições efetuadas em torno da central.

Apesar das medidas de exceção entretanto adotadas, as autoridades de Tóquio estão a apelar à calma. Com base nos dados recolhidos pelos técnicos da Tepco, o porta-voz do Governo, Yukio Edano, veio enfatizar que o revestimento de metal do reator não terá sofrido danos críticos. Por outro lado, o responsável assinalou o facto de os índices de radiação na zona terem diminuído depois da explosão. Mas há informações que parecem contradizer a posição oficial do Executivo. A agência Kyodo adiantou que a quantidade de radioatividade recebida no espaço de uma hora por cada uma das pessoas que se encontrassem no local da explosão seria equivalente ao limite anual de segurança.

Na sequência do sismo de sexta-feira, foram encerradas quatro centrais nucleares do Japão. Contudo, falharam os sistemas de refrigeração em vários dos reatores das duas centrais de Fukushima. Sem esses sistemas, a temperatura nos núcleos dos reatores aumenta. Cresce, assim, o risco de colapso das estruturas de revestimento.

Em declarações citadas pela BBC, Walt Patterson, um analista do instituto de investigação Chatham House, de Londres, considerou que é cedo para perceber se a explosão de Fukushima pode vir a produzir os mesmos níveis de contaminação radioativa do desastre de Chernobyl. Todavia, o mesmo perito reconhece nos acontecimentos do Japão sinais semelhantes àqueles que ocorreram em 1989.

MRA Alliance/RTP

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