Japão: Duas notícias escondem realidade económica; Outra mostra-a

EFE/Globo, 29-05-2009

“Produção industrial do Japão acelera e indica saída para crise”

Tóquio, 29 mai (EFE).- A produção industrial do Japão aumentou 5,2% em abril, o ritmo mais acelerado em quase 60 anos e um possível sinal de que a segunda maior economia do mundo vê a luz no fim do túnel para a recessão.

As perspectivas, no entanto, são mais favoráveis para as empresas japonesas – extremamente dependentes das exportações – do que para os cidadãos – que viram em abril o crescimento do desemprego para 5%, o pior nível desde o final de 2003.

O Japão está em meio à recessão desde meados do ano passado e o “coquetel” da crise na segunda economia do mundo inclui queda do consumo, deflação, aumento do desemprego e uma contração de dois dígitos no Produto Interno Bruto (PIB).

Vários dados divulgados hoje pelo Governo japonês falam sobre essa situação econômica, mas também dão esperança de que se vislumbra o fim do túnel, como opinou na semana passada o Banco do Japão (BOJ) e segundo a percepção do Executivo, apesar da contração do PIB no primeiro trimestre a um ritmo anual de 15,2%.

A produção industrial do Japão cresceu 5,2% em abril, frente ao mês anterior, no qual já tinha registrado um aumento de 1,6%, seu primeiro crescimento positivo em seis meses (em janeiro, teve uma queda histórica de 10%).

Esse indicador é muito relevante para uma economia como a japonesa, pois mede o ritmo de funcionamento de suas fábricas, e o aumento faz prever que, após ajustar o volume de seus estoques, os pedidos de mercadorias melhoraram e os próximos meses serão provavelmente mais animadores.

O aumento na produção industrial em abril no Japão foi o maior desde a taxa de 7,9% registrada em março de 1953, quando estava a ponto de concluir a Guerra da Coreia.

O Governo japonês previu também hoje que o índice de produção industrial crescerá ainda mais em maio, 8,8% frente ao mês anterior, e um mais modesto 2,7% em junho.

No entanto, os outros dados divulgados hoje pelo Executivo japonês não são positivos e falam do efeito que a crise econômica está tendo sobre os cidadãos.

Em abril, o desemprego aumentou à taxa anualizada de 5%, com 710 mil pessoas a mais que se juntaram às filas de desempregados no Japão frente aos números do ano passado, em seu sexto mês consecutivo de aumento.

O número de desempregados no Japão é agora de 3,46 milhões de pessoas, das quais 1,4 milhão são consequência de demissões, segundo o relatório governamental divulgado hoje.

“Estou muito decepcionado, mas é preciso aceitar a realidade”, disse o ministro das Finanças, Kaoru Yosano, que alertou que condições trabalhistas negativas podem retrair a recuperação econômica, segundo a agência local “Kyodo”.

Ao mesmo tempo, o consumo também não parece ter se recuperado no Japão, diante do dado de despesa das famílias divulgado hoje pelo Ministério de Assuntos Internos japonês.

Esse indicador retrocedeu pelo 14º mês consecutivo em abril, até registrar uma queda de 1,3% frente ao ano anterior, apesar de a média dos salários dessas famílias ter crescido 1%, pela primeira vez em um trimestre.

O consumo interno representa 55% do PIB e tem sido tradicionalmente um dado frágil no Japão, onde os níveis de poupança estão entre os mais elevados do mundo.

Por fim, o Executivo divulgou hoje o dado do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) que, novamente, traz o fantasma da deflação à economia japonesa.

Em abril, o IPC caiu no Japão em um décimo frente ao mesmo período do ano anterior, pelo segundo mês consecutivo, depois de esse indicador ter se comportado em alta durante mais de um ano.

Diário Económico, 29-05-2009

“Produção industrial no Japão atinge maior subida em meio século” 

“A produção das fábricas japonesas registou em Abril o maior aumento em 56 anos, devido à recuperação das exportações, que está a ajudar o país a sair da maior recessão desde a Segunda Guerra. A produção industrial nipónica subiu 5,2% em Abril, face ao mês anterior, protagonizando o segundo ganho mensal consecutivo, informou o Ministério do Comércio japonês.Esta foi a maior subida do indicador desde Março de 1953, quando avançou 7,9%, um ano depois de ter terminado a ocupação militar dos Estados Unidos no Japão.

O desempenho da produção industrial japonesa no mês passado saiu melhor do que o esperado, já que os economistas consultados pela Bloomberg esperavam um aumento de 3,3%.

Os especialistas explicam que o aumento da produção industrial japonesa em Abril ficou a dever ao facto de as exportações terem crescido 1,9% nesse mês, em relação a Março, com as empresas a fabricarem mais carros e produtos de electrónica de consumo.

Para Maio e Junho, o Ministério do Comércio japonês estima que a produção industrial cresça 8,8% e 2,7%, respectivamente.”

BBC, 29-05-2009

“Japan’s industrial output jumps”

Japan’s factory output has jumped at its fastest rate in more than 50 years, but higher unemployment figures have dampened hope of an early recovery.

Output rose by 5.2% in April from the previous month, the biggest monthly gain since 1953, official figures show.

The much bigger-than-expected rise is the second monthly increase in industrial production in a row.

However, separate figures showing unemployment hitting a five-year high dampened much of the optimism.

The jobless rate hit 5% in April, up from 4.8% in March.

Mixed messages

“I’m quite disappointed that the job situation has deteriorated sharply,” said Finance Minister Kaoru Yasano.

Output is not strong enough to boost the jobs market, so people won’t feel the economy is recovering
Yasuo Yamamoto, Mizuho Research Institute

And some analysts questioned whether the big jump in output was sustainable.

“In the next fiscal year, after the stimulus fades, industrial output may stagnate,” said Yasuo Yamamoto at the Mizuho Research Institute.

The conflicting data adds to the mixed messages coming out of the world’s second-largest economy.

Earlier this week, official figures showed a surprise trade surplus and an easing in the country’s dramatic slump in exports, while last week Japan’s central bank upgraded its economic outlook.

However, scepticism remains about the economy’s ability to bounce back from its record contraction in the first three months of this year.

“The labour market is bad and prices are weak, pointing to a deflationary trend. Output is not strong enough to boost the jobs market, so people won’t feel the economy is recovering,” said Mr Yamamoto.”

MRA Alliance/pvc 

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