Investidores ignoram ameaça de chumbo do PEC, crise japonesa e guerras no Médio Oriente

Depois de uma semana marcada pelo agravar do conflito nos países árabes, que culminou com o ataque ocidental à Líbia, e pelas consequências do sismo nipónico, acontecimentos que monopolizaram a atenção dos investidores mundiais, o PSI 20 fechou o dia em alta, a aumentar 1,48 por cento, em linha com as restantes grandes praças mundiais.

Em termos gerais, e apesar de o agravar da crise política, com a oposição a contestar as novas medidas de austeridade e a pedir a queda do governo, o PSI20 não vacilou. No dia em que o Governo entrega o PEC no Parlamento, com todos os partidos a manifestarem intenção de o chumbar, o mercado lisboeta voltou a fechar em alta e a indiciar que os investidores interiorizaram que “a austeridade já cá está”.

Na Europa, e num dia que os ministros das Finanças da zona Euro realizam uma reunião extraordinária em Bruxelas para ultimar a reforma do fundo de resgate, o alemão DAX fechou a subir 2,28 por cento, o francês CAC 2,47 por cento e o espanhol Iberx 2,38 por cento. Já o inglês Fotsie valorizou 1,19 por cento. Nos EUA o índice industrial Dow Jones abriu a ganhar 0,53 por cento, o S&P 500 avança 0,71 por cento e o Nasdaq valoriza 1,23 por cento.

À medida que foram interiorizando que a situação no Japão estava controlada, acompanhando os esforços das autoridades para arrefecer os reactores nucleares danificados no complexo nuclear de Fukuchima, os investidores ganharam fôlego.

Mas apesar da intervenção articulada no final da semana passada das sete maiores economias do mundo, o G7, para combater as especulações à volta do iene, e a decisão o governo nipónico de injectar fundos (que podem ascender a 130 mil milhões de euros) para reanimar a economia (que sofreu danos estimados até 166 mil milhões de euros), estarem também a dar ânimo aos investidores, a entrada do Japão em recessão é dada como inevitável.

Mas a sua dimensão depende da celeridade com que se contiverem os problemas nucleares nipónicos. A disseminação da radiação implicará atrasos na retoma da produção que ficou parcialmente paralisada (estima-se que 10 por cento da capacidade industrial esteja inoperacional).

Os mercados internacionais estão também a reagir positivamente ao facto de a situação no Médio Oriente parecer, do ponto de vista dos investidores, controlada com a intervenção da coligação dos países ocidentais. O recrudescimento dos conflitos na Líbia, e noutros países árabes (Iémen), parece estar a ter sobretudo influência no preço dos combustíveis, com o petróleo negociar-se acima des 119 dólares.

Os investidores aproveitaram ainda as notícias que surgiram nos EUA, com aquisição por parte da maior empresa de telecomunicações dos EUA, a AT&T de 49 por cento da rede móvel da T-Mobile, pertencente à alemã Deutsche Telekom (que disparou em bolsa, levando as restantes operadores mundiais pelo mesmo caminho. A PT subiu mais de cinco por cento). Os investidores dão assim sinais de acreditar que a politica monetária expansionista dos EUA pode criar oportunidades para novas grandes aquisições e fusões.

MRA Alliance/Público

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