Guantánamo: Obama mantém linha política de Bush

Barack Obama decidiu manter as comissões militares de Guantánamo herdadas da era Bush. Apesar da garantia de reformar os polémicos tribunais de excepção criados para julgar suspeitos de terrorismo, a decisão do presidente norte-americano contraria uma promessa de campanha, atraiu críticas das organizações de defesa dos direitos humanos mas recolheu o aplauso dos republicanos e neoconservadores. 

Um advogado de defesa militar diz que a “desilusão está no facto de o Governo afirmar agora, abertamente, que a razão para ressuscitar as Comissões é que será difícil obter condenações nos tribunais convencionais”. Os tribunais de excepção, diz o causídico, inauguram “um sistema penal para obter condenações”, ao arrepio da tradição judicial norte-americana.  

Para a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), a decisão de reativar as comissões militares “prolongará a injustiça de Guantánamo”, ao utilizar meios legais “abaixo dos padrões” norte-americanos. A organização diz que o governo Obama “terá de enfrentar uma crescente condenação internacional por restringir direitos básicos do processo legal”.

“É decepcionante o facto de Obama reactivar estes tribunais em vez de acabar com eles”, disse Jonathan Hafetz, advogado do grupo de defesa dos direitos civis American Civil Liberties Union (ACLU). “Isto é a perpetuação da política errada do governo  Bush”.

Também grupos próximos de Obama questionaram a decisão anunciada ontem. “Não acho que as comissões militares sejam a melhor maneira de proceder”, afirmou à BBC World Ken Gude, director do Center for American Progress, um grupo de estudos políticos de tendência liberal.

Esta é segunda divergência sobre valores democráticos e estado de direito, em apenas uma semana, entre o presidente afro-americano e organizações dos direitos humanos.

Na quarta-feira, Obama já recuara na decisão de divulgar fotos de abusos praticados por forças americanas contra supostos terroristas, no Iraque.

Ao lado da política de Obama estão agora os seus críticos mais ferozes durante a campanha eleitoral de 2008. “Estou satisfeito por o presidente Obama ter adoptado agora esta visão”, afirmou o senador republicano John McCain, candidato derrotado às eleições presidenciais. 

O senador republicano Lindsey Graham, da Comissão das Forças Armadas do Congresso, elogiou a decisão do governo de restabelecer as comissões militares condiderando-a importante para “fortalecer” a segurança nacional.

Ari Fleischer, ex-porta-voz de George W. Bush, afirmou que Obama “deveria reconhecer que as suas críticas durante a campanha estavam erradas”. “Com algumas pequenas mudanças, ele está realmente e seguir o mesmo caminho trilhado pelo presidente Bush”, rematou.

MRA Alliance/Agências

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