Grã-Bretanha: Empresas com lucros recorde, mas aperto do crédito continua

Os dados estão lançados, e continuam a abalar o mercado britânicoAs empresas britânicas registaram lucros recorde no 3.º trimestre de 2007 devido ao aquecimento do ambiente económico. Porém, os analistas advertem que as restrições ao crédito e à prolongada crise de liquidez no mercado interbancário irá futuramente dificultar o desempenho do sector empresarial. As empresas não financeiras registaram lucros líquidos de 16% no período terminado em Setembro. Estes foram os melhores resultados desde o início da apuração dos resultados trimestrais, em 1989, revelou ontem o instituto britânico de estatisticas (Office for National Statistics).

As cautelosas avaliações dos analistas assentam na expectativa de o Banco de Inglaterra poder baixar novamente as taxas de juro. Ontem a falta de liquidez no mercado overnight – onde os bancos emprestam dinheiro entre si para operações de curtíssimo prazo – alarmou o mercado face às crescentes restrições na concessão de crédito. De imediato foram sentidos os efeitos de contaminação provável dos fundamentais da economia real. O relatório do supervisor do sistema financeiro britânico, publicado ontem, revelou que a banca cortou inesperada e profundamente no segmento de concessão de empréstimos «securitizados» no último trimestre de 2007. O mercado reagiu com receio de novos apertos do crédito que podem agravar ainda mais o já débil segmento do mercado imobiliário. O clima de apreensão piorou com a publicação de indicadores sobre cortes adicionais na concessão de crédito a empréstimos imobiliários não «securitizados» e às empresas em geral. Estes factos afectaram negativamente a confiança dos consumidores, que passaram a gastar menos, afectando o desempenho das empresas que, com a perspectiva de redução de lucros, irão cortar nos investimentos. (pvc/agências)

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