EUA preparam-se para bombardear Irão, diz ex-agente da CIA

Guardas Revolucionários - IrãoAs declarações do ministro da Defesa do Irão, General Mostafa Mohammad-Najjar sobre a prontidão do exército iraniano para rechaçar quaisquer ataques inimigos, no passado dia 1, foram interpretadas em meios politicos e militares de Washington como um sinal de que Teerão prevê, para breve, um ataque surpresa por parte dos EUA. “As Forças Armadas do Irão estão preparadas para reagir a qualquer ataque militar, seja qual for a sua intensidade, e fazer o inimigo arrepender-se de o ter iniciado”, disse o ministro.

Nas últimas semanas, aumentaram os rumores de que estará iminente um bombardeamento com mísseis cruzeiro contra campos de treino das tropas de elite dos Guardas da Revolução Iraniana –Brigadas al-Quods – acusadas pelos americanos de apoiarem o terrorismo e de fomentarem a proliferação de armas de destruição maciça no Médio Oriente.

O tema tem sido acompanhado e denunciado, desde 2005, por Philip Giraldi, ex-agente da CIA e conselheiro de política externa do senador republicano Ron Paul. Num artigo intitulado “Guerra com o Irão pode estar mais próxima do que pensam” Giraldi escreveu há um mês atrás: “O Conselho de Segurança Nacional concordou, em princípio, com o início de planos para atacar campos de treino das al-Quods onde, alegadamente, militantes iraquianos recebem formação militar. O campo que será atacado é um dos vários localizados próximo de Teerão. O Secretário da Defesa, Robert Gates, foi o único alto funcionário que pediu o adiamento que qualquer acção ofensiva.” O articulista acrescenta que a decisão está relacionada com reforço da posição do movimento pró-iraniano Hezbollah, no Líbano, e com a alegada “intransigência” de Teerão em reconhecer que apoia e treina as milícias islâmicas responsáveis por ataques às tropas americanas no Iraque e pela sua “inteferência na política interna libanesa”. Giraldi refere que o governo Bush enviou aquelas mensagens para Teerão através de contactos no Curdistão, no dia 8 de Maio. Face à recusa do governo xiíta em ceder a pressões, enquanto os EUA não pararem de desestabilizar o Irão através da manipulação de dissidentes, os estrategas da Casa Branca terão concluído que chegou a altura de enviar “um sinal claro” a Teerão “sob a forma de mísseis cruzeiro.” O ex-agente da CIA adiantou que o ataque será “tão limitado quanto possível” e apenas dirigido contra as Brigadas al-Qods para “evitar vítimas civis.” Em Israel -através de newsletters confidenciais especializadas em defesa, segurança e espionagem – surgiram novos dados alegadamente obtidos junto de “fontes iranianas e militares.” Segundo elas, os Guardas da Revolução Iraniana terão terminado, em Maio, a preparação para um eventual ataque americano em sinal de represália pela alegada intervenção iraniana na guerra civil iraquiana. Um dos boletins electrónicos judaicos adianta que Bush “está mais próximo do que nunca” de aprovar o bombardeamento.

Porém, de acordo com as suas fontes, o ataque em “fase final” de preparação pelos generais americanos é bem mais amplo do que sugeriu Giraldi. Os alvos a atingir serão campos de treino, fábricas de munições e vias de comunicação. A acção envolverá o lançamento de mísseis e bombardeamentos aéreos não apenas contra os referidos alvos em Teerão, mas serão supostamente alargados a bolsas de resistência anti-americana no Iraque, no Líbano (Hezbollah) e na Faixa de Gaza (Hamas). Segundo aquelas fontes a reacção iraniana será mais ampla do que os estrategas americanos esperam. Estes estarão convencidos de que Teerão, desde que as suas instalações nucleares não sejam atingidas pelos bombardeamentos, não contra-atacarão posições americanas no Golfo Pérsico, nem alvos israelitas.

Os líderes xiítas, todavia, interpretarão o ataque como uma declaração formal de guerra por parte de Washington. A reacção iraniana terá uma escala e dimensão imprevistas e até agora subavaliadas pelos planeadores estadunidenses. Os exercícios de prontidão militar do exército iraniano incluíram todas as unidades al-Quods. A maior parte delas actuam clandestinamente no Iraque, no Líbano, no Afeganistão e no Sudão.

As tropas xiítas já terão sido evacuadas das suas tradicionais bases, em Maio, e estarão agora aquarteladas temporariamente em aldeias remotas no leste e no norte do Irão. Os quartéis centrais e campos de treino na Universidade Iman Ali (norte de Teerão), na cidade santa de Qom e em Manzariyah já estarão vazias. As habituais sentinelas, no entanto, continuam a ocupar as suas posições no exterior. O mesmo acontece no importante aquartelamento de Isfahan.

Ali, segundo os serviços secretos militares dos EUA, são treinados os jihadistas que operam em vários teatros de guerra – Afeganistão, Baluchistão, Faixa de Gaza, Líbano e Iraque. Os americanos classificam aqueles campos como «Universidades do Terror». Sob o comando de especialistas iranianos, os guerrilheiros islâmicos aprendem a sabotar alvos estratégicos – estradas, pontes, quartéis, paióis e outras instalações militares – bem como a fabricar e usar diversos tipos de bombas, das rudimentares às mais sofisticadas, responsáveis por milhares de atentados contra “os infiéis” ocidentais e hebreus. MRA – Dep. Data Mining

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